sábado, 26 de janeiro de 2013

O Faria e o Rating!


Se para uma boa parte das pessoas, o domingo é um dia triste e depressivo por antecipar uma segunda-feira, para mim e para uns quantos é um dia de entusiasmo que começa bem cedo.
Alterno as minhas manhãs deste dia, com uma futebolada com uns amigos, ou com a prática de BTT com outro grupo de amigos.
Quando calham as manhãs de BTT e me desloco já montado na minha “menina” de duas rodas ao encontro dos outros “atletas”, isto bem cedo (mesmo bem cedo), cruzo-me por vezes com gente (que eu conheço) de carro, que nitidamente está a acabar o sábado à noite, enquanto eu já estou em pleno domingo!
Se esses conhecidos parassem o carro e eu entrasse nele, seria transportado do domingo de manhã, para o sábado à noite…acho que isto é que é a “Teoria da Relatividade”, que Einstein queria explicar, mas não de forma tão clara como eu!
Na verdade quando me cruzo com esses “atletas” da noite, certamente eles pensam – O Calheiros está tolinho! – enquanto eu penso – O Mi…, o Ant…, o Pe… e o Car…, estão todos “lixados”, enquanto eu estou atlético e saudável! – alheio aos quatro quilos a mais, devidamente explicáveis por uma paragem de mês e meio, devido a uma lesão na coxa.
Desde o encontro com os Batatistas, desculpem, Betetistas, até ao final do passeio, toda a selecção natural que fiz desde criança até idade adulta, que resultou na redução de uma imensidão de amigos para três, desaparece…somos novamente crianças e o mundo está novamente cheio de gente amiga!
Quanto aos domingos de futebol, como o adversário é forte, eu e o Quim somos o garante de que pelo menos somos a equipa mais “bonita”. Certeza esta, ainda sob os efeitos de um elogio que ouvimos de duas meninas em 1992, irmãs e desequilibradas…mas de bom gosto!!!
Em campo, tínhamos a certeza que éramos os estrategas e o garante do equilíbrio da equipa, até que…
…Certo dia, o amigo Faria começou a ir. Joga no nosso meio campo. Mais do que um jogador, ele revelou-se um comentador…comenta todos os nossos lances, fazendo avaliações on-line, transformando um momento de lazer em momentos de stress, qual Standard & Poor’s e a Moddy’s com os testes de stress aos Bancos!
A nossa equipa, antes do Faria, julgava-se valorosa e inteligente, à semelhança de Portugal na UE, quando pensávamos que tudo era cor-de-rosa, que o dinheiro não acabava e seríamos capazes de grandes jogadas. Chutávamos à baliza de qualquer maneira e de qualquer sítio, mesmo da linha de fundo…e por mais estúpido que parecesse e sem dinheiro queríamos uma linha de TGV!
Os Mercados e Agências de Rating apareceram na vida dos países e o Faria apareceu na nossa equipa.
Nós, que nos tínhamos em alta estima e nos cotávamos no Triplo A, fomos sendo puxados para baixo. Eu e o Quim estamos com B, enquanto os outros elementos da equipa, estão ao nível da Grécia…no lixo!
Mas as Agências de Rating falham na marcação e por vezes não se entende as suas observações, quando tentam ludibriar de forma infantil!

Desde que o Faria começou a aparecer, no fim dos jogos vou directo a casa dos meus pais perguntar à minha mãe: – Mamã, quem é que joga bem? – ao que ela responde: – És tu, meu filho!

Pena que Portugal, em vez de uma mãe, tenha uma madrasta, a Dona UE!

sábado, 19 de janeiro de 2013

(Des)Acordo!


Há pessoas que não se esquecem! Pessoas que, para o bem ou para o mal, interferiram na nossa vida num determinado momento e deixaram a sua marca para sempre.
Na minha vida uma dessas pessoas foi a minha professora da primária…a professora Dona Maria Luísa!
Eu não fui à tropa. A maior parte das pessoas que nasceram em 72 e em 73, como é o meu caso, na altura da inspecção, passámos à reserva por excesso de contingente. A minha experiência militar resume-se a um dia e meio de alguma galhofa no Quartel da Constituição!
Algumas cabeças paradas no tempo podem pensar “ És um menino! Não foste à tropa.”
A verdade é que eu e os meus coleguinhas da Escola Primária do Paranho, na Trofa, fizemos uma verdadeira tropa de Comandos, dirigida pela professora Maria Luísa!
Havia Rigor, Disciplina, Respeito,…, estes eram os Mandamentos do Quartel do Paranho e a Comandante Suprema era a extensão dos pais na escola!
A geração de 72 e 73, não foi à tropa, mas foi à escola, se calhar mais importante, e todos nós ainda sabemos fazer contas e escrever!
Outra lição, esta mais pessoal, aconteceu no recreio da recruta, quando ao jogar aos berlindes com o Pedro, este ao perder não me deu, conforme acordado, os berlindes dele! É muito má a sensação de engano, quando num acordo, uma das partes não cumpre com o seu papel!
Furioso e na altura gordo, deixo cair o meu peso em cima do Pedro – Toma que é para aprenderes! – e deixei-me estar em cima dele durante cinco minutos.
A lição mais importante nestes anos de recruta, que começou aos seis anos, aplicada pelos professores e pelo meus pais foi,  pensar por mim próprio e não me deixar arrebanhar, esta foi a derradeira lição de sobrevivência…ao contrário do meu país!
Por causa dos governantes do meu país, apetece-me engordar outra vez, ficar muito gordo, um obeso mórbido, e deixar-me cair em cima deles. E não falo só dos actuais, falo dos sucessivos governantes que se governaram, a si e aos seus, sem darem rumo e prestígio à Nação, falhando o acordo da governação séria!
Mas nós também temos culpa, não soubemos pôr travão e sempre ficamos contentes por termos o record da maior feijoada do mundo, e da maior omolete, e do maior bolo de chocolate, e do chico esperto, dignos de notícia de telejornal…ou perder dias a discutir se o Ronaldo é o melhor jogador do mundo ou não! Cá por mim preferia ser o país dos governantes sérios e do povo com qualidade de vida!
A governação deste país é a cara da Dona Miquinhas, que não perde uma festa popular, mesmo que não goste do artista que vai actuar!
Temos ido a várias festas e perdido tempo naquilo que não nos interessa…uma das últimas, a festa em honra do Santo Acordo Ortográfico. Vestimos a nossa roupa de gala, fomos para a feira mas os carrinhos de choque, o rolote das farturas e o cantor que iria actuar não apareceram…é triste fazer uma festa sózinhos!
Fomos os primeiros, com rapidez, a abandonar a nossa escrita…e assim se perde a nossa própria história, que indica que a nossa escrita vem do latim e muitas outras razões válidas, sem ser o próprio orgulho, para que não se altere, ou sejamos nós a ditar, por evolução natural da nossa própria escrita! Alguém quis brilhar e tomámos a dianteira, como quando fizemos a maior feijoada do mundo, mas os brasileiros disseram:  – Afinal, temos tempo! – e os angolanos: – Entendam-se e depois aplicamos o acordo! - e os timorenses ponderam se devem continuar, ou não, a ensinar o português na escola!
Outro engano! Semelhante a um jogo de futebol em que Portugal não escolhe “campo” nem começa com a bola!
Um dia, se calhar, Angola será a maior potência do mundo Lusófono e irá impor outro acordo ortográfico, adaptado à forma como eles falam…um dia, em Portugal, vai-se falar crioulo!

De vez em quando ainda vejo a professora Maria Luísa… velhinha, mas de passo firme e os seus olhos a sorrirem para mim…comecei a escrever em Português!

sábado, 12 de janeiro de 2013

Era uma vez a minha rua.


Na minha adolescência, festejei apenas uma vez o S. João…sempre gostei de movimento, mas nunca de confusão!
No final dessa noitada, já de manhã e com o sol a brilhar, na altura da despedida dos amigos, um deles, chamemos-lhe Rocha, diz: – Agora vou pintar as grades das escadas, lá de casa!
Todos viraram costas a caminho das suas camas a pensar “coitado” e eu pensei o mesmo…no entanto, digo-lhe: – Rocha, vou ajudar-te!
Ao chegar à casa do Rocha e ver a extensão das grades, apercebi-me que íamos ter trabalho para todo o dia! Arrependi-me pela segunda vez nas últimas doze horas…a primeira foi a própria noitada… confusa!
Chegado o final do dia, o arrependimento transformou-se em satisfação, por ter ajudado um amigo! Sensibilizado, o Rocha convida-me para morar com ele! Olhei para ele desconfiado, mas rapidamente as más ideias que me estavam a passar pela cabeça foram postas de lado. Afinal o Rocha é mecânico, tem as mãos sujas de óleo e muda calços de travões…é muito macho!
Agradeci-lhe e disse que não, como os ingleses à moeda única, e expliquei-lhe que gostava dele como amigo, mas éramos muito diferentes para vivermos juntos!
Fui para casa, que fica na ponta da Rua Europa, como Portugal, e onde tenho como vizinho o Sr. Henrik, um simpático Alemão que se apaixonou por Portugal, há 29 anos atrás!
Mal abro a porta, dirijo-me para o quarto, onde caio esmagado pelo peso do sono! Tinha de descansar…no dia seguinte iria ajudar o Sr. Henrik a cortar madeira, para a sua lareira.
O dia seguinte, depois da cooperação entre mim e o simpático Sr. Henrik, terminou com uma festinha na casa da dona Amélia, que convidou toda a vizinhança!
Houve muita gargalhada e discussão! Achávamos piada a algumas características de uns e outros e dizíamos com franqueza: – Não conseguia viver contigo!
Nessa noite, quando todos foram para suas casas e se deitaram, durante o sono, algo inexplicável aconteceu!
Acordei bem cedo e espreitei à janela. As casas da Rua Europa tinham desaparecido e dei por mim dentro de um palácio!
Olá! – ouço atrás de mim. - É o Sr. Henrik. - Depois aparece a dona Amélia, depois outro vizinho, e outro…todos os moradores da Rua Europa estavam naquele palácio!
Sem encontrar explicação e com as casas desaparecidas, achámos boa ideia vivermos naquele casarão…afinal, havia espaço para todos!
Aparece um senhor, o mordomo do palácio, de aspecto austero que nos distribui pelas divisões da casa. Não foram distribuídas de igual forma, o Sr. Henrik teve direito a cinco divisões, a Dona Amélia, a três,…, e a mim coube-me apenas um pequeno quarto, mas limpo, quentinho e confortável. Chegava-me!
A primeira noite no palácio foi cor-de-rosa, estávamos todos juntos no mesmo espaço e sentíamos-nos seguros…apesar de alguns ruídos e hábitos.
Com o passar do tempo, o que no início era aceitável, começou a tornar-se um dor de cabeça!
Eram os roncos do Sr. Henrik durante o sono; era a vaidade da Carolina, que ninguém tirava de frente do espelho da casa de banho, o que impedia o Sr. Augusto dar livre curso às suas constantes descargas intestinais, motivada por uma fluidez fora do habitual; era o cheiro a tabaco espalhado pelo palácio, deixado pelos fumadores inveterados da casa; era a luta na hora das refeições, porque uns comiam mais do que outros… enfim… a discórdia começou a instalar-se no palácio da Rua Europa!
Como bom moço, ia aceitando tudo e todas as diferenças…mas aquele dia!
Nesse dia, o mordomo do palácio, de aspecto austero, entra no meu quarto onde tinha acabado de fazer a cama e alinhado as almofadas decorativas em forma de losango!
- Não pode ser! – diz-me o mordomo – As almofadas têm que estar em forma de triângulo cateto! Assim fiz, sem saber muito bem porquê!
No dia seguinte iria novamente colocar as almofadas em forma de losango e o mordomo, austero, determinar, outra vez, a colocação, desta vez em forma de triângulo obtuso!
Apesar das diferenças entre os moradores do palácio e os diferentes tratamentos, não conseguia mais permitir que o mordomo, de aspecto austero, entrasse no meu pequeno quarto e me impedisse de colocar as almofadas como eu queria!
No dia X, às Y horas abandono o palácio. Na Rua Europa, onde existiam casas com gente, há agora o palácio e se eu olhar para a ponta Este da rua vejo várias casas…de gente pobre ou remediada, que não fazia parte do nosso grupo!
A minha casa, onde eu determinava os hábitos e as regras, tinha desaparecido! Com umas tábuas, que estavam na rua, fiz um barraco ao lado do palácio…não tinha dinheiro!
Vi-me pobre e frustrado, a ter que começar tudo de novo, mas consciente que tenho que levar a vida que posso e não viver a vida dos outros!
Na primeira noite no barraco tive um pesadelo, sonhei com a Integração, quando vivi com toda a gente da Rua Europa na mesma casa! De manhã acordei a pensar o quanto era bom quando cada um vivia em sua casa e nos ajudávamos uns aos outros, em Cooperação!

Quando tiver dinheiro, vou comprar almofadas e decorar a minha cama como eu quero!
Na porta da casa preguei o poema “Cântico Negro”, para não me esquecer… 

domingo, 6 de janeiro de 2013

Números mágicos.


O gosto pela escrita levou-me a escrever um livro! Como um livro não se escreve todos os dias, para manter o hábito, criei um blogue, mas iludido com a ideia de que ainda me sobra tempo para exercer esta atividade que me distrai no teclado, criei uma página no Facebook de nome “José Calheiros – Escrita com Norte”, para dar livre curso às ideias (boas, mais ou menos ou más) que percorrem o meu pensamento.
Inexplicavelmente, estou à espera de atingir os 100 “gostos” nesta página, para começar a contar “estórias”! E porquê? Que lógica me fez determinar este número, e não 105, ou 80?! Sem explicação inicial, fui-me apercebendo, conforme a minha memória recuava no tempo!
Descobri que à semelhança de superstições, há números “mágicos” que, sem nos apercebermos, se enraízam nas pessoas e povos e acabam por interferir nas nossas decisões mais básicas…para mim, o 100 é um deles…mesmo que não concorde com as superstições.
Regredi aos tempos de escola, em que a aula “100” era festejada com bolos e bebidas, e transformava-mos esse facto em acontecimento, quase meritório de notícia de abertura no jornal da TVI… apesar de não concordar!
Concordava com o festejo, mas era a favor que este se realizasse na aula 27. Permitiria que em todas as disciplinas houvesse esta celebração e naquelas que eram mais frequentes no “horário”, como Português e Matemática, se repetisse várias vezes durante o ano letivo! Seja como for, o “100” ficou gravado na minha memória! E cá estou eu à espera de mais três “gostos”, para atingir o número mágico!
Outro número, cuja superstição discordo, está profundamente marcado na tradição cristã. Trata-se do 666 que nos transporta para o fim dos tempos e representa o Anticristo, a Besta, que para mim seria melhor representado pelo 4, número do dorsal do defesa central, (chamemos-lhe “Bentinho”) de uma equipa, que prefiro não dizer o nome, participante no campeonato concelhio de futebol, na Trofa. "Bentinho" é uma verdadeira besta que desbarata à sarrafada os avançados adversários e por vezes dita o fim dos jogos!
7, outro número almejado, para quem nele acredita. Felizmente para mim, no máximo, representa um “número primo”!
Mas já para os Muçulmanos, mediante certos comportamentos, se for possível dinamitarem-se no meio de uma multidão, isso representa a ida para o céu e terem direito a 7 virgens! Teriam a minha compreensão se a promessa fosse assistirem à prisão de 7 políticos portugueses ou o Sporting ganhar um campeonato nas próximas 7 décadas!
Nesta crença seria aceitável como “número mágico” o 1. Após a “auto-dinamitação” numa feira ou dentro de uma igreja, no céu, em vez das 7 virgens, teríamos uma profissional do sexo e o mártir escapava à malha sentimental que as virgens criariam após serem “desfloradas”!
A seguir ao 7, vem o 8, que simboliza o infinito e para algumas culturas, como a chinesa, está associado à prosperidade e à multiplicação.
Infelizmente para mim o 8, não é infinito, tem rosto, e puxa-me para a austeridade. Faz-me lembrar o Alfredo, esse caloteiro que me deve 8 contos desde 1993…nunca mais o vi!

Seja como for e mesmo discordando, continuo sugestionado por estas associações e aguardo que a minha página chegue aos 100 “gostos”!

sábado, 29 de dezembro de 2012

Em busca da adrenalina perdida!


Quando ouço falar em adrenalina, chego à conclusão que todos temos mais ou menos o mesmo entendimento da palavra, mas a maioria das pessoas age de forma completamente diferente da minha para a sentir. Essa emoção que nos faz levantar do chão…ou será isso paixão?
A adrenalina anda de mãos dadas com o imprevisto. É esta sensação de imprevisibilidade que nos estimula a adrenalina e nos provoca sensações de “um passo para o abismo”…ou será isso paixão?
E é nas acções para sentir adrenalina que me diferencio da maioria das pessoas e… de alguns animais, como aquele passarinho kamikaze, que na autoestrada fez voo rasante ao meu carro e morreu! Se o passarinho procurava adrenalina, o que lhe aconteceu não foi o “imprevisto”, mas sim o óbvio!
Ou como aquele caso há poucos anos atrás, em que numa noite de verão, três indivíduos, por causa de uma aposta, testam se o carro de um deles atinge os 200 km/h numa recta de fracas condições para a velocidade. A verdade é que o carro chegou aos 200, mas no fim da rceta não curvou nem para a direita, nem para a esquerda e enfaixou-se num muro de betão. Este desfecho não foi o “imprevisto”, condição para que haja adrenalina, mas sim o óbvio…infelizmente com consequências trágicas!
Ou como a Cristina, minha mulher, trava em cima do carro da frente dizendo-me: – Está tudo controlado, sente a emoção!
A verdade é que não senti emoção nenhuma quando o óbvio aconteceu por uma ou duas vezes e ela bateu no carro da frente!
Já para não falar da minha colega de trabalho, a quem por vezes recorro para efeitos de boleia, que faz sete coisas ao mesmo tempo enquanto conduz e com dificuldade aceito que esteja atenta à estrada. Sou o seu anjo da guarda com as minhas indicações, “pára”, “arranca”, “acelera”, “reduz”…ela chama-me de “chato” e atira-me à cara que aqueles são os meus momentos de adrenalina. Em silêncio penso – Se não fosse eu “espetavas-te todos os dias!”.
ADRENALINA, meus meninos e minhas meninas, é o que passo a descrever, um relato da minha viagem vertiginosa para o trabalho:
Ligo o carro e deixo-o aquecer, enquanto espero, coloco o cinto de segurança. Arranco e aproveito a recta que passa em frente a minha casa e chego aos 30 km/h, sou ultrapassado por um indivíduo que conduz feito louco. Um miúdo aproxima-se da passadeira e antecipadamente vou afrouxando, imobilizando o carro a um metro da passadeira, enquanto no outro sentido só ao terceiro carro é que pararam e o miúdo pôde atravessar a estrada.
Desemboco na estrada principal já com o pisca a indicar a minha mudança de sentido. Naquele cruzamento os carros viram nos vários sentidos sem darem o “pisca” e cheguei mesmo a pensar se esta sinalética estava proibida e eu ainda não sabia!
No momento certo arranco e estaciono um pouco mais à frente, com o “pisca” ligado (mas aqui já com muitas dúvidas se estava a proceder correctamente), em frente a uma pastelaria, para tomar o pequeno almoço.
Quando regresso ao carro, outro condutor tentava sair em marcha-atrás do parque de estacionamento, e indiferente ao trânsito ia metendo a “traseira” e provocou um acidente.
Entro no meu carro e só quando sinto liberdade suficiente faço-me à estrada. A minha viagem decorria a uns aceitáveis 40 km/h, ainda dentro da Trofa, dou “pisca”, reduzo para segunda, e com uma perpendicular perfeita, curvo à esquerda, merecendo aplausos dos miúdos que iam para o Ciclo! Entusiasmado, arranco a uns estonteantes e sonolentos 27 Km/h, travando logo à frente, porque os pais dos miúdos têm os carros mal estacionados e “lançam-nos” para a estrada, provocando, não adrenalina, mas as condições óbvias para um atropelamento!
Depois de passar a zona do Ciclo, ousei desviar o olhar da estrada por momentos e liguei o rádio. Um pouco mais à frente, novo “pisca” e estaciono para ir trabalhar!

Meus caros(as), adrenalina é cumprir as regras de segurança e mesmo assim o imprevisto aparecer, porque andar deslocado delas e o acidente acontecer, isso é o óbvio.
O pináculo da adrenalina é ser sportinguista e o meu Sporting, ainda este ano, ser campeão!

Eu vivo no “fio da navalha”! 

domingo, 23 de dezembro de 2012

Fim do Mundo.


Nos últimos dias falou-se tanto no fim do mundo, que eu próprio, pouco ligado a profecias e a ditos sem fundamento, cheguei a acreditar!
Eram as notícias dos jornais e telejornais que falavam do “Fim do Mundo” de forma ambivalente. Por um lado apresentavam o dito como uma profecia, mas por outro como sendo um cálculo com as bases científicas conhecidas há séculos atrás por essa civilização impressionante, os Maias, deixando espaço à dúvida!
Trazemos às costas a carga cultural de um povo que há poucas décadas era pouco ou nada instruído e que assistia a missas em latim. O obscurantismo e o medo eram dominantes, abrindo espaço amplo para o duvidoso e tomando-o como certo, sem sentido crítico.
Nos nossos dias, as notícias pouco claras ainda levantam receio. Ouvi algumas pessoas afirmarem com certeza – O fim do mundo…Tretas! – mas depois terminavam a sua dissertação com um – E se for?!
Quando foi transmitido um programa no “National Geographic” sobre o Fim do Mundo e como algumas pessoas se preparavam para o mesmo, entrei em choque. Nesse momento convenci-me que ia mesmo acontecer! O que eu recusei, deixei de fazer, deixei de dizer…mas nem tudo é mau, como é o Fim, posso ser excêntrico sem me ter saído o euromilhões!
O tempo escasseava, o Fim do Mundo era já no dia 21/12. Sem perder tempo telefonei para um portista, bom amigo, com quem tinha discutido por ele ter dito que o Sporting até jogava bem!
- Trim, trim,…
- Estou sim?! – pergunta o amigo portista.
- Sou eu! Desculpa ter discutido contigo por causa do Sporting!
- Deixa lá, já passou! Agora concordas que o teu Sporting até joga benzinho? – pergunta o amigo portista.
- Queres trocar? – respondo com outra pergunta.
O amigo portista desligou sem me responder! Chateado, enviei-lhe uma mensagem a dizer que nunca mais lhe falava! Marquei a minha posição a poucas horas do Fim do Mundo.

Estabeleci novo contacto. Liguei ao meu amigo Joaquim.
- Quim, amanhã vou jogar!
- Mas…mas tu já estás bom da tua rutura muscular?!
- Não! Mal consigo andar, mas amanhã vou! – respondo-lhe.
Há três semanas atrás, depois de fazer uma rutura na coxa num jogo de futebol, rasguei-me completamente no dia seguinte, noutro joguinho de bola! Fui obrigado a parar!
Mas não ia perder a oportunidade de praticar a atividade desportiva que mais gosto antes do mundo acabar!

Depois de conversar com o Quim, voltei-me para o discurso que tinha preparado para dissertar nessa noite, numa cerimónia de gala, onde estariam colegas de trabalho e administração, e troquei algumas palavras!
Nessa noite, as palavras trocadas pareciam tiros disparados em todas as direções. Houve muito murmurinho e nenhum aplauso. Nessa noite mais ninguém me falou, mas também não me preocupei porque no dia seguinte ia jogar à bola e no depois seria 21/12, o Fim do Mundo!

O dia 21/12 chegou. Iria passá-lo em casa, a lesão piorara no dia anterior aos trinta segundos de jogo e não me permitia uma locomoção independente! Não tinha importância, aproveitei para empanturrar tudo do que gosto até que o Fim chegasse!

Chegou a meia noite, já estamos no dia 22/12, o Fim do Mundo não chegou e sinto a barriga a rebentar!
Devido a medos e crenças, o que acabou foi o meu mundinho, zanguei-me com um amigo, piorei a minha lesão, segunda-feira vou ser despedido e estou prestes a ter uma congestão!

Gostei de vos conhecer!

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Relação a dois!


Na vida das pessoas há coisas que nunca mudam, o clube de futebol é um desses exemplos, mesmo para quem é sportinguista…como eu! Quero crer que os amigos também não. Se dois ou três deles fossem peças de roupa, nunca as mudava, a não ser para as lavar! Um seria a camisa, outro as calças e outro talvez as peúgas…mas nenhum seria as truses. Seriam sempre peças coladas ao corpo e nenhum seria um casaco, isso seria um conhecido!
A famíla, essa não muda! No meu caso ainda bem…este é o meu totobola!
Mas algo que vai mudando na nossa vida até à eleição final, é a nossa companheira…eleição dela, não se iludam!
E esta relação a dois, desde o momento zero até ao fim, vai sofrendo estados de maturação, é algo dinâmico, como a passagem das estações do ano, e imprevisto como a chegada de um temporal numa tarde quente e aborrecida de Verão!
Estes estados de maturação são facilmente observáveis na savana do ser humano, no seu habitat mais natural, o Centro Comercial.
Os casalinhos que se relacionam há semanas, no máximo dois meses, colam-se como se o mundo acabasse dali a três horas. Aproveitam cada dez metros que andam para declarar a sua paixão e cada passo que dão para se lambusarem, atividade que obriga a uma limpeza constante do piso!
O estado mais caricato, é o daqueles casais que já passaram os dois meses de namoro, e já pensam em casar, mesmo estando um desempregado e o outro ainda a estudar e vivem na ilusão. Estes encontro-os facilmente no IKEA, ainda juntinhos, mas em vez de se lambusarem admiram com um sorriso, um quebra-nozes e sonham, “Vamos precisar de um assim!” Estes ainda têm a certeza absoluta de que vão ficar juntos para sempre!
Na prateleira ao lado, onde este casal admira o quebra-nozes, podemos encontrar a fêmea de outro casal, a observar um serviço de pratos, enquanto o macho, se inquieta e suspira, sem se distânciar muito da fêmea. Este estado de maturação é crucial na relação do casal. São jovens adultos com uma relação entre sete meses e um ano e meio, em que o macho já se atreve a levantar a voz e a comentar sobre outra rapariga…um jogo perigoso…para ele! É a altura em que o macho vive no fio da navalha e tenta tomar pulso na relação. É nesta fase que a relação acaba ou ardilosamente a fêmea faz o macho pensar que manda e a relação fica condenada a durar!
Eu pertenço a esta última classe, pensei que mandava! A fase seguinte do macho deste casal é um confronto gradual com a realidade, semelhante ao degelo, que pode demorar décadas em que nós, machos, nos apercebemos que pouco mandámos! Mas há vantagens!
No sábado passado, ao final da tarde, eu e minha senhora fomos ao Mar Shopping, ela queria ir ao IKEA. Este estado de maturação permite-nos que ela vá para o IKEA e eu me enfie na FNAC e mergulhe nos livros. Só há uma regra, o primeiro a sair da sua loja vai ter com o outro. Normalmente prefiro esperar pelo telefonema da Cristina e “banhar-me” o máximo de tempo possível nos livros!
Trimmmm, trimmmm. – atendo o telefone. É a Cristina a dizer que já saiu do IKEA…fui ter com ela.
- Vamos embora, isto está cheio de gente! – diz ela.
Adorei a ideia e reparei que o carrinho das compras vinha recheado.
Arrancámos em direção ao parque de estacionamento e dois metros à frente, diz ela: – Só vou a esta loja e venho já!
Estúpido, caio sempre na conversa de que vamos logo embora. Fiquei cá fora, agarrado ao carrinho de compras, a observar… e via casais de todas as espécies. Ainda é com encanto que observo o casal clássico, aqueles que estão juntos há mais de cinquenta anos, e passeiam distanciados vinte metros um do outro, ela atrás e ele á frente, com o pensamento, “A velha nunca mais morre!”
Começo a olhar para as outras montras e vejo homens no mesmo estado de maturação que eu, expressões fechadas e com olhares constantes para dentro das lojas a observar se a companheira já está na caixa para vir embora!
A Cristina sai da loja de decoração e diz-me para irmos embora. Com agrado apresso o passo e duas montras á frente ouço: - Só vou a esta loja, é rápido!
Estúpido, caí outra vez na conversa de que íamos embora. Fiquei novamente cá fora, agarrado ao carrinho de compras. Curiosamente vi os mesmo homens, parados como eu, mas em frente a montras diferentes.
Conclui que eu e esses homens pertencemos à classe de casais em que parecemos peças num tabuleiro de xadrez, somos movimentados de montra em montra! Olhava e via um peão, um cavalo, um bispo, uma torre e consolava-me pensar que era o rei do tabuleiro comandado pela minha rainha!