domingo, 17 de fevereiro de 2013

A Carolina...!


Na sexta-feira, ao final da tarde, a Carolina, a minha melhor amiga morreu.
Não era uma amiga que via de vez em quando. A Carolina vivia comigo e todos os dias davamos o nosso passeio e dispensavamos muito bem a companhia da Cristina, a minha mulher!
Eu e ela gostavamos de passear ao nosso ritmo, por norma ao ritmo dela e muitas vezes paravamos, encostados um no outro a contemplar quem passava. Apesar desta minha amiga ser linda e elegante, a Cristina nunca sentiu nenhum cíume da Carolina, aliás, gostavam muito uma da outra!
A Carolina era tão linda, que por norma as pessoas paravam e perguntavam:
- É tão bonita, de que raça é?
- Não tem raça! – respondia eu.
Achava piada a esta pergunta, como se um cão, para ser bonito, tivesse que ter pedigree. Para mim era a minha melhor amiga e isso chegava para a ver bonita…a mais bonita!
No segundo texto que escrevi neste blogue, fiz referência à Carolina. Como já se aperceberam, hoje não há um novo texto, apesar de anúnciar novidades no blogue. Hoje vou repôr o meu segundo texto, em homenagem à Carolina, de quem tenho saudades!

“Sábado, dia porreiro!

Neste texto, vou utilizar a palavra “cócó” em detrimento da palavra "merda". Significam o mesmo, mas "merda" pode ferir as sensibilidades “cócó”!
Numa vida feita maioritariamente de obrigações e alguns fretes, elejo o sábado como o dia “porreiro”. É neste dia que consigo pôr de lado as atividades obrigatórias e os fretes e convivo com quem quero, e comigo mesmo, e tenho mais tempo para fazer o que realmente gosto…à exceção de alguns afazeres domésticos, que garantem a estabilidade da coligação marido/mulher!
Enquanto há pessoas que para se sentirem bem têm que fazer coisas extraordinárias e várias vezes (portanto nunca ou poucas vezes estão bem), eu tenho a sorte, nestes tempos de crise, de gostar muito de desempenhar atividades gratuitas ou baratuchas, como escrever, lêr (e peço alguns livros emprestados), jogar à bola com o mesmo grupo de amigos há anos, andar de bicicleta,… e de sonhar, conseguir fechar os olhos e viajar no tempo e no espaço! Mas depois abri-los e voltar à realidade.
Este sábado acordou solarengo e eu quase acordei com ele, cedo. Depois de tomar o pequeno almoço, que me garante a sustentação física, e depois de estender alguma roupa, que garante a harmonia no lar e uma refeição quente, é altura do meu passeio com a Carolina, a minha cadela, adoptada numa associação de proteção de animais.
Neste passeio, como de costume, tudo corria bem e como o costume a Carolina fazia cócó e chichi (é verdade, em vez de mijar vou dizer “chichi”)  e como é costume, passeava-me com grande classe!
Numa das pausas da Carolina, para cheirar mais não sei o quê, olho para o lado a ver quem passa. Quando os meus olhos retornam à cadela, ela já não estava a cheirar nada, mas sim a lamber o “cócó” de outro cão! Foi o horror!!!
Por mais liberal que possa ser quanto aos comportamentos caninos e humanos, não me choca ver um cão a sodomizar outro, ver uma matilha numa ramboiada sexual ou até uma cadela com cio a oferecer-se a qualquer cão…mas a minha Carolina a lamber “cócó”, NÃO!
Em choque, o passeio foi encurtado e tomei as rédeas do mesmo e fomos directos para casa!
Em vez de me deitar, sentei-me, porque já estava penteado e custava-me a aceitar a lambidela da Carolina no “cócó”, como deve custar a um pai ouvir da filha de treze anos que está grávida de um puto pobre, ou como me custa desfazer a barba (ainda falam as mulheres de depilação!)! O sábado, o dia porreiro, estava estragado!
Decidi sair de casa e caminhar…fui ao café!
Desfolhava o jornal e parei na notícia que falava no caso do virus de Dengue na Madeira e exclamei:
- Poça, se isto chega aqui?!
A Dona Mariazinha, que estava sentada na mesa ao lado, ripostou:
- Oh Zé, que se lixe o Dengue, pior é se chega ao continente o virus Alberto João!
Esta capacidade muito portuguesa de relativizar as coisas, de que pode sempre acontecer algo pior, de que há sempre alguém a passar por dramas maiores, da-nos um aconchego, um quentinho fofinho na barriga!
A Dona Mariazinha, sem saber, recuperou-me o dia com a sua observação. Fui para casa a pensar, “A Carolina lambeu cócó, mas pior seria ela engravidar estando esterilizada!”.
O sábado voltou a ser um dia porreiro!”

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Tradições.


Com espanto, um dia destes, li em roda pé no noticiário do “Porto Canal”, que um idoso foi detido por maltratar a esposa.
Sou contra a violência, mas a favor da história e das tradições, daquelas que nos ensinam sobre nós, como povo, e nos transportam para tempos idos...
Estes casais idosos são uma verdadeira lição de história viva, desde a forma como a esposa se passeia sempre dez metros atrás dele, aos insultos que ouve por tudo e por nada e aos “chapadões” que leva em casa. Esta forma de vida manteve-se inalterada desde tempos imemoriais, resistindo ao próprio tempo e a tudo o que ele transforma…
…Até que há pouquíssimas décadas, as tendências no casal foram-se modificando! Menos filhos, mais divórcios, mais gestos de carinho, o homem deixou de ir para a tasca, as mulheres começaram a ir para os bares com as amigas,…, tudo pior!
Mas certamente a idosa sente-se uma mulher abençoada por ter um homem com H grande, como aquela senhora idosa de Braga que além das agressões físicas, o marido idoso ainda a acorrentava quando se ausentava.
Neste último caso, apesar das denúncias da vizinhança, junto da GNR, a idosa nunca se queixou, não entendendo a ciumeira das vizinhas, por esta ter um homem a sério!
Esta espécie de casal é do mais típico que temos, observo-os com o mesmo encanto com que aprecio uma dona Elvira. Existem, ainda rolam, mas cada vez são menos e um dia só os veremos em fotografia ou filme!
Estes casais são um símbolo, como o são o “Galo de Barcelos”, as “Papas de Sarrabulho”, a expressão “Aqui d’El Rey”,… ou o “Zé Povinho”. O “Zé Povinho” que todos apreciamos e achamos graça, representa muito destes casais…do povinho!
Para mim, deter o Sr. Idoso, que, como quase todos os senhores idosos, desenfreadamente e de forma muito própria demonstram o seu carinho pela Sra. Idosa à “lapada” ou aos berros, é o mesmo que deter o “Galo de Barcelos”, condenar as “Papas de Sarrabulho” a cinco anos de cadeia, ou nas altas instâncias divinas, Bordalo Pinheiro ficar sujeito a apresentações periódicas, num qualquer quartel do céu!
Se por esse país fora temos estátuas de reis, políticos, desportistas, heróis e anti-heróis, porque não uma do idoso bom marido?
Porque não, à semelhança do Fado, candidatar o “Casal Idoso Português” a Património Imaterial da Humanidade e, em tempos de crise, aproveitá-lo turisticamente?!
À semelhança do Burro Azinino, quase caído em extinção, e recuperado no Nordeste Transmontano para passeios turísticos, deveríamos revitalizar esta estirpe de casais e promover visitas turísticas aos seus lares, atraindo grupos de estrangeiros, principalmente no Inverno, época alta, em que o idoso, na tasca, bebe mais para aquecer, depositando mais chapadões na sua humilde esposa, quando chega a casa!
Não entendo como há pessoas que se insurgem contra esta violência, denunciando o que durante séculos foi tradicionalmente consentido e aceite, dando origem ao ditado “Entre marido e mulher, não se mete a colher!”…não se entende como há pessoas que denunciam a violência nas touradas, sendo esta uma forte tradição em Portugal.

Quando a tradição impede que o ser humano evolua e o mantém, em termos de comportamento, tão primitivo como há séculos ou milhares de anos atrás, aí, a tradição deixa de fazer sentido…menos o casal idoso! 

domingo, 3 de fevereiro de 2013

O homem e a mulher.


Há dois temas de discussão que abandonei bem cedo, logo após a minha pré-adolescência. A temática do futebol, em que defendia o meu Sporting com unhas e dentes e que por razões óbvias já não discuto… e a eterna luta de sexos, “Homem versus Mulher”.
Relativamente a esta última temática, apercebi-me de que tentando compreender as mulheres, mais facilmente chegaria ao contacto físico, nem que fosse a palma da mão delas na minha cara… mas mais tarde apercebi-me que “Eles” não são melhores do que “Elas”, apenas diferentes…imensamente diferentes, valha-me Deus!
Uma das teorias que explica estas diferenças, é o facto de há milhares de anos atrás, o homem primitivo ir à caça, obrigando-o a desenvolver uma concentração muito focalizada na presa, enquanto a mulher ficava na caverna a proteger os filhos, tendo desenvolvido uma visão mais abrangente, para melhor e mais depressa se aperceber dos perigos para os seus filhotes!
Nos tempos actuais, isto explica porque o homem quando está no centro comercial para comprar uma batata, toma o caminho mais curto para o supermercado, compra a batata, paga e vem para casa. A única alteração a este plano, poderá acontecer se uma miúda gira lhe perguntar as horas. Já a mulher, para fazer a mesma compra, “perde-se” nas lojas de decoração, de acessórios e de têxteis-lar e regressa a casa sem a batata!
A qualidade de visão abrangente de há milhares de anos atrás transformou-se numa característica de visão dispersa e pouco útil, que nenhum ser vivo e não vivo da galáxia compreende, à excepção da própria mulher!
Enquanto nós, homens, temos um sentido práctico apurado, elas, as mulheres, defendem-se com o “sexto sentido”! E é neste raio de “sexto sentido” (que homem que é homem não compreende) que as mulheres se “penduram” para justificar todos e mais alguns comportamentos, como se fosse uma directiva divina…mesmo os mais bizarros, como comprar mais um par de botas, a preço X, e nós olhamos para a sapataria lá de casa e o mês quase não tem dias suficientes para usar um par por dia!
O sentido práctico do homem fá-lo poupado e capaz de ler a última página do jornal “O Jogo”, ao preço de um café!
A única vantagem em tempos de crise, é em caso de necessidade, podermos abrir uma sapataria ou uma loja de almofadas decorativas, com o stock armazenado em casa!
Ao homem a quem um dia isto acontecer, ouvirá da mulher – O meu “sexto sentido” bem me dizia para fazer estas compras sem sentido, mas tu nunca me dás ouvidos!
Relativamente a humores também há diferenças significativas. O homem tem fases, que podem passar ao fim de meia hora, enquanto a mulher tem o período, que dura uma semana. Aliás, no homem tudo passa mais depressa. Enquanto hoje, a mulher é capaz de estar a pensar na discussão de há cinco dias atrás, o mais provável é que o homem esteja a pensar na futebolada de logo à noite com os amigos.
No entanto, as duas maiores diferenças estão, primeira, no léxico gramatical. Se para o homem uma palavra tem o significado que vem no dicionário, para a mulher a mesma palavra pode ter o significado antónimo, podendo originar discussões acesas entre os dois, e como a mulher discute até ter razão, o homem, como sinal de inteligência, apressa-se a dar-lhe razão. A segunda, diz respeito ao mundo metafísico para o qual as mulheres nos transportam. Se o homem diz o que pensa, as mulheres esperam que adivinhemos o que lhes passa na cabeça, levando-nos para um jogo perigoso, em que andámos constantemente a um passo do abismo, por mais que tentemos adivinhar e por maior que seja a nossa boa vontade! E ter a noção deste facto, faz-me ter a certeza do que pedir, caso um dia encontre uma lâmpada mágica! Pedirei três bolas de cristal, para adivinhar o que lhes passa na cabeça!

São estas diferenças desconcertantes que me fazem gostar delas… e das poucas pessoas que amo, a maior parte são Mulheres!

sábado, 26 de janeiro de 2013

O Faria e o Rating!


Se para uma boa parte das pessoas, o domingo é um dia triste e depressivo por antecipar uma segunda-feira, para mim e para uns quantos é um dia de entusiasmo que começa bem cedo.
Alterno as minhas manhãs deste dia, com uma futebolada com uns amigos, ou com a prática de BTT com outro grupo de amigos.
Quando calham as manhãs de BTT e me desloco já montado na minha “menina” de duas rodas ao encontro dos outros “atletas”, isto bem cedo (mesmo bem cedo), cruzo-me por vezes com gente (que eu conheço) de carro, que nitidamente está a acabar o sábado à noite, enquanto eu já estou em pleno domingo!
Se esses conhecidos parassem o carro e eu entrasse nele, seria transportado do domingo de manhã, para o sábado à noite…acho que isto é que é a “Teoria da Relatividade”, que Einstein queria explicar, mas não de forma tão clara como eu!
Na verdade quando me cruzo com esses “atletas” da noite, certamente eles pensam – O Calheiros está tolinho! – enquanto eu penso – O Mi…, o Ant…, o Pe… e o Car…, estão todos “lixados”, enquanto eu estou atlético e saudável! – alheio aos quatro quilos a mais, devidamente explicáveis por uma paragem de mês e meio, devido a uma lesão na coxa.
Desde o encontro com os Batatistas, desculpem, Betetistas, até ao final do passeio, toda a selecção natural que fiz desde criança até idade adulta, que resultou na redução de uma imensidão de amigos para três, desaparece…somos novamente crianças e o mundo está novamente cheio de gente amiga!
Quanto aos domingos de futebol, como o adversário é forte, eu e o Quim somos o garante de que pelo menos somos a equipa mais “bonita”. Certeza esta, ainda sob os efeitos de um elogio que ouvimos de duas meninas em 1992, irmãs e desequilibradas…mas de bom gosto!!!
Em campo, tínhamos a certeza que éramos os estrategas e o garante do equilíbrio da equipa, até que…
…Certo dia, o amigo Faria começou a ir. Joga no nosso meio campo. Mais do que um jogador, ele revelou-se um comentador…comenta todos os nossos lances, fazendo avaliações on-line, transformando um momento de lazer em momentos de stress, qual Standard & Poor’s e a Moddy’s com os testes de stress aos Bancos!
A nossa equipa, antes do Faria, julgava-se valorosa e inteligente, à semelhança de Portugal na UE, quando pensávamos que tudo era cor-de-rosa, que o dinheiro não acabava e seríamos capazes de grandes jogadas. Chutávamos à baliza de qualquer maneira e de qualquer sítio, mesmo da linha de fundo…e por mais estúpido que parecesse e sem dinheiro queríamos uma linha de TGV!
Os Mercados e Agências de Rating apareceram na vida dos países e o Faria apareceu na nossa equipa.
Nós, que nos tínhamos em alta estima e nos cotávamos no Triplo A, fomos sendo puxados para baixo. Eu e o Quim estamos com B, enquanto os outros elementos da equipa, estão ao nível da Grécia…no lixo!
Mas as Agências de Rating falham na marcação e por vezes não se entende as suas observações, quando tentam ludibriar de forma infantil!

Desde que o Faria começou a aparecer, no fim dos jogos vou directo a casa dos meus pais perguntar à minha mãe: – Mamã, quem é que joga bem? – ao que ela responde: – És tu, meu filho!

Pena que Portugal, em vez de uma mãe, tenha uma madrasta, a Dona UE!

sábado, 19 de janeiro de 2013

(Des)Acordo!


Há pessoas que não se esquecem! Pessoas que, para o bem ou para o mal, interferiram na nossa vida num determinado momento e deixaram a sua marca para sempre.
Na minha vida uma dessas pessoas foi a minha professora da primária…a professora Dona Maria Luísa!
Eu não fui à tropa. A maior parte das pessoas que nasceram em 72 e em 73, como é o meu caso, na altura da inspecção, passámos à reserva por excesso de contingente. A minha experiência militar resume-se a um dia e meio de alguma galhofa no Quartel da Constituição!
Algumas cabeças paradas no tempo podem pensar “ És um menino! Não foste à tropa.”
A verdade é que eu e os meus coleguinhas da Escola Primária do Paranho, na Trofa, fizemos uma verdadeira tropa de Comandos, dirigida pela professora Maria Luísa!
Havia Rigor, Disciplina, Respeito,…, estes eram os Mandamentos do Quartel do Paranho e a Comandante Suprema era a extensão dos pais na escola!
A geração de 72 e 73, não foi à tropa, mas foi à escola, se calhar mais importante, e todos nós ainda sabemos fazer contas e escrever!
Outra lição, esta mais pessoal, aconteceu no recreio da recruta, quando ao jogar aos berlindes com o Pedro, este ao perder não me deu, conforme acordado, os berlindes dele! É muito má a sensação de engano, quando num acordo, uma das partes não cumpre com o seu papel!
Furioso e na altura gordo, deixo cair o meu peso em cima do Pedro – Toma que é para aprenderes! – e deixei-me estar em cima dele durante cinco minutos.
A lição mais importante nestes anos de recruta, que começou aos seis anos, aplicada pelos professores e pelo meus pais foi,  pensar por mim próprio e não me deixar arrebanhar, esta foi a derradeira lição de sobrevivência…ao contrário do meu país!
Por causa dos governantes do meu país, apetece-me engordar outra vez, ficar muito gordo, um obeso mórbido, e deixar-me cair em cima deles. E não falo só dos actuais, falo dos sucessivos governantes que se governaram, a si e aos seus, sem darem rumo e prestígio à Nação, falhando o acordo da governação séria!
Mas nós também temos culpa, não soubemos pôr travão e sempre ficamos contentes por termos o record da maior feijoada do mundo, e da maior omolete, e do maior bolo de chocolate, e do chico esperto, dignos de notícia de telejornal…ou perder dias a discutir se o Ronaldo é o melhor jogador do mundo ou não! Cá por mim preferia ser o país dos governantes sérios e do povo com qualidade de vida!
A governação deste país é a cara da Dona Miquinhas, que não perde uma festa popular, mesmo que não goste do artista que vai actuar!
Temos ido a várias festas e perdido tempo naquilo que não nos interessa…uma das últimas, a festa em honra do Santo Acordo Ortográfico. Vestimos a nossa roupa de gala, fomos para a feira mas os carrinhos de choque, o rolote das farturas e o cantor que iria actuar não apareceram…é triste fazer uma festa sózinhos!
Fomos os primeiros, com rapidez, a abandonar a nossa escrita…e assim se perde a nossa própria história, que indica que a nossa escrita vem do latim e muitas outras razões válidas, sem ser o próprio orgulho, para que não se altere, ou sejamos nós a ditar, por evolução natural da nossa própria escrita! Alguém quis brilhar e tomámos a dianteira, como quando fizemos a maior feijoada do mundo, mas os brasileiros disseram:  – Afinal, temos tempo! – e os angolanos: – Entendam-se e depois aplicamos o acordo! - e os timorenses ponderam se devem continuar, ou não, a ensinar o português na escola!
Outro engano! Semelhante a um jogo de futebol em que Portugal não escolhe “campo” nem começa com a bola!
Um dia, se calhar, Angola será a maior potência do mundo Lusófono e irá impor outro acordo ortográfico, adaptado à forma como eles falam…um dia, em Portugal, vai-se falar crioulo!

De vez em quando ainda vejo a professora Maria Luísa… velhinha, mas de passo firme e os seus olhos a sorrirem para mim…comecei a escrever em Português!

sábado, 12 de janeiro de 2013

Era uma vez a minha rua.


Na minha adolescência, festejei apenas uma vez o S. João…sempre gostei de movimento, mas nunca de confusão!
No final dessa noitada, já de manhã e com o sol a brilhar, na altura da despedida dos amigos, um deles, chamemos-lhe Rocha, diz: – Agora vou pintar as grades das escadas, lá de casa!
Todos viraram costas a caminho das suas camas a pensar “coitado” e eu pensei o mesmo…no entanto, digo-lhe: – Rocha, vou ajudar-te!
Ao chegar à casa do Rocha e ver a extensão das grades, apercebi-me que íamos ter trabalho para todo o dia! Arrependi-me pela segunda vez nas últimas doze horas…a primeira foi a própria noitada… confusa!
Chegado o final do dia, o arrependimento transformou-se em satisfação, por ter ajudado um amigo! Sensibilizado, o Rocha convida-me para morar com ele! Olhei para ele desconfiado, mas rapidamente as más ideias que me estavam a passar pela cabeça foram postas de lado. Afinal o Rocha é mecânico, tem as mãos sujas de óleo e muda calços de travões…é muito macho!
Agradeci-lhe e disse que não, como os ingleses à moeda única, e expliquei-lhe que gostava dele como amigo, mas éramos muito diferentes para vivermos juntos!
Fui para casa, que fica na ponta da Rua Europa, como Portugal, e onde tenho como vizinho o Sr. Henrik, um simpático Alemão que se apaixonou por Portugal, há 29 anos atrás!
Mal abro a porta, dirijo-me para o quarto, onde caio esmagado pelo peso do sono! Tinha de descansar…no dia seguinte iria ajudar o Sr. Henrik a cortar madeira, para a sua lareira.
O dia seguinte, depois da cooperação entre mim e o simpático Sr. Henrik, terminou com uma festinha na casa da dona Amélia, que convidou toda a vizinhança!
Houve muita gargalhada e discussão! Achávamos piada a algumas características de uns e outros e dizíamos com franqueza: – Não conseguia viver contigo!
Nessa noite, quando todos foram para suas casas e se deitaram, durante o sono, algo inexplicável aconteceu!
Acordei bem cedo e espreitei à janela. As casas da Rua Europa tinham desaparecido e dei por mim dentro de um palácio!
Olá! – ouço atrás de mim. - É o Sr. Henrik. - Depois aparece a dona Amélia, depois outro vizinho, e outro…todos os moradores da Rua Europa estavam naquele palácio!
Sem encontrar explicação e com as casas desaparecidas, achámos boa ideia vivermos naquele casarão…afinal, havia espaço para todos!
Aparece um senhor, o mordomo do palácio, de aspecto austero que nos distribui pelas divisões da casa. Não foram distribuídas de igual forma, o Sr. Henrik teve direito a cinco divisões, a Dona Amélia, a três,…, e a mim coube-me apenas um pequeno quarto, mas limpo, quentinho e confortável. Chegava-me!
A primeira noite no palácio foi cor-de-rosa, estávamos todos juntos no mesmo espaço e sentíamos-nos seguros…apesar de alguns ruídos e hábitos.
Com o passar do tempo, o que no início era aceitável, começou a tornar-se um dor de cabeça!
Eram os roncos do Sr. Henrik durante o sono; era a vaidade da Carolina, que ninguém tirava de frente do espelho da casa de banho, o que impedia o Sr. Augusto dar livre curso às suas constantes descargas intestinais, motivada por uma fluidez fora do habitual; era o cheiro a tabaco espalhado pelo palácio, deixado pelos fumadores inveterados da casa; era a luta na hora das refeições, porque uns comiam mais do que outros… enfim… a discórdia começou a instalar-se no palácio da Rua Europa!
Como bom moço, ia aceitando tudo e todas as diferenças…mas aquele dia!
Nesse dia, o mordomo do palácio, de aspecto austero, entra no meu quarto onde tinha acabado de fazer a cama e alinhado as almofadas decorativas em forma de losango!
- Não pode ser! – diz-me o mordomo – As almofadas têm que estar em forma de triângulo cateto! Assim fiz, sem saber muito bem porquê!
No dia seguinte iria novamente colocar as almofadas em forma de losango e o mordomo, austero, determinar, outra vez, a colocação, desta vez em forma de triângulo obtuso!
Apesar das diferenças entre os moradores do palácio e os diferentes tratamentos, não conseguia mais permitir que o mordomo, de aspecto austero, entrasse no meu pequeno quarto e me impedisse de colocar as almofadas como eu queria!
No dia X, às Y horas abandono o palácio. Na Rua Europa, onde existiam casas com gente, há agora o palácio e se eu olhar para a ponta Este da rua vejo várias casas…de gente pobre ou remediada, que não fazia parte do nosso grupo!
A minha casa, onde eu determinava os hábitos e as regras, tinha desaparecido! Com umas tábuas, que estavam na rua, fiz um barraco ao lado do palácio…não tinha dinheiro!
Vi-me pobre e frustrado, a ter que começar tudo de novo, mas consciente que tenho que levar a vida que posso e não viver a vida dos outros!
Na primeira noite no barraco tive um pesadelo, sonhei com a Integração, quando vivi com toda a gente da Rua Europa na mesma casa! De manhã acordei a pensar o quanto era bom quando cada um vivia em sua casa e nos ajudávamos uns aos outros, em Cooperação!

Quando tiver dinheiro, vou comprar almofadas e decorar a minha cama como eu quero!
Na porta da casa preguei o poema “Cântico Negro”, para não me esquecer… 

domingo, 6 de janeiro de 2013

Números mágicos.


O gosto pela escrita levou-me a escrever um livro! Como um livro não se escreve todos os dias, para manter o hábito, criei um blogue, mas iludido com a ideia de que ainda me sobra tempo para exercer esta atividade que me distrai no teclado, criei uma página no Facebook de nome “José Calheiros – Escrita com Norte”, para dar livre curso às ideias (boas, mais ou menos ou más) que percorrem o meu pensamento.
Inexplicavelmente, estou à espera de atingir os 100 “gostos” nesta página, para começar a contar “estórias”! E porquê? Que lógica me fez determinar este número, e não 105, ou 80?! Sem explicação inicial, fui-me apercebendo, conforme a minha memória recuava no tempo!
Descobri que à semelhança de superstições, há números “mágicos” que, sem nos apercebermos, se enraízam nas pessoas e povos e acabam por interferir nas nossas decisões mais básicas…para mim, o 100 é um deles…mesmo que não concorde com as superstições.
Regredi aos tempos de escola, em que a aula “100” era festejada com bolos e bebidas, e transformava-mos esse facto em acontecimento, quase meritório de notícia de abertura no jornal da TVI… apesar de não concordar!
Concordava com o festejo, mas era a favor que este se realizasse na aula 27. Permitiria que em todas as disciplinas houvesse esta celebração e naquelas que eram mais frequentes no “horário”, como Português e Matemática, se repetisse várias vezes durante o ano letivo! Seja como for, o “100” ficou gravado na minha memória! E cá estou eu à espera de mais três “gostos”, para atingir o número mágico!
Outro número, cuja superstição discordo, está profundamente marcado na tradição cristã. Trata-se do 666 que nos transporta para o fim dos tempos e representa o Anticristo, a Besta, que para mim seria melhor representado pelo 4, número do dorsal do defesa central, (chamemos-lhe “Bentinho”) de uma equipa, que prefiro não dizer o nome, participante no campeonato concelhio de futebol, na Trofa. "Bentinho" é uma verdadeira besta que desbarata à sarrafada os avançados adversários e por vezes dita o fim dos jogos!
7, outro número almejado, para quem nele acredita. Felizmente para mim, no máximo, representa um “número primo”!
Mas já para os Muçulmanos, mediante certos comportamentos, se for possível dinamitarem-se no meio de uma multidão, isso representa a ida para o céu e terem direito a 7 virgens! Teriam a minha compreensão se a promessa fosse assistirem à prisão de 7 políticos portugueses ou o Sporting ganhar um campeonato nas próximas 7 décadas!
Nesta crença seria aceitável como “número mágico” o 1. Após a “auto-dinamitação” numa feira ou dentro de uma igreja, no céu, em vez das 7 virgens, teríamos uma profissional do sexo e o mártir escapava à malha sentimental que as virgens criariam após serem “desfloradas”!
A seguir ao 7, vem o 8, que simboliza o infinito e para algumas culturas, como a chinesa, está associado à prosperidade e à multiplicação.
Infelizmente para mim o 8, não é infinito, tem rosto, e puxa-me para a austeridade. Faz-me lembrar o Alfredo, esse caloteiro que me deve 8 contos desde 1993…nunca mais o vi!

Seja como for e mesmo discordando, continuo sugestionado por estas associações e aguardo que a minha página chegue aos 100 “gostos”!