sábado, 29 de junho de 2013

Em busca do “dói-dói” perdido!

Desde que larguei a mão da minha mãe e ganhei pernas para correr por minha conta, as nódoas negras e os arranhões sempre me acompanharam. A certeza, na criancice em finais dos anos 70 e inícios de 80, de que éramos normais comprovava-se através da forma como chegávamos a casa. Saíamos aprumados para a escola e chegávamos de calças rotas e o corpo marcado por arranhões. No nosso guarda-roupa não havia calças sem joelheiras ou camisas e camisolas sem cotoveleiras. Um guarda-roupa “impec” de uma criança desses tempos era um sinal de que era doente, sem poder ter uma vida normal! Lembro-me das 3 ou 4 vezes que cheguei a casa aprumadinho, da mesma forma como a minha mãe me tinha despachado para a escola, e de imediato me deitou na cama e me tirou a temperatura.
Também assim eram as personagens da banda desenhada, e os nossos heróis tinham brincadeiras iguais ás nossas e caíam abaixo de árvores e muros ou entravam em lutas de capa e espada, como o Tom Sawyer ou o Dartacão.
Todos queríamos um dói-dói a valer, que contasse uma estória heróica!
O apogeu do dói-dói aconteceu na 3ª classe e fez do Filipe (nome quase fictício) herói por meia hora! Correu pela escola a notícia de que o Filipe tinha partido o queixo e todos efabulávamos se teria sido à porrada contra 5 ciganinhos! Depois de regressado à escola com um penso no queixo, o Filipe conta como tudo aconteceu:
- Ia a andar… tropecei sozinho e caí de queixos!
Ouvir isto foi a desilusão completa e um pensamento trespassou a cabeça de todos os meninos: “Que nabo!”.
Quanto a mim, passei sempre de classe e passei sempre ao lado de um dói-dói digno desse nome!
Veio a adolescência e os heróis dos desenhos animados foram substituídos pelos heróis criados pelo cinema, o Conan cujas marcas no corpo contavam combates contra exércitos, ou Indiana Jones, com uma cicatriz no queixo, que ao contrário da do Filipe, contava uma grande aventura e…Ramboooooo, que se lançava de uma escarpa, caía em cima de uma árvore, cujos ramos lhe iam amparando a queda e em vez de morrer, cozia a sangue frio um corte no braço!
Inspirado por estes heróis da grande tela, nunca virei a cara aos confrontos, que geralmente aconteciam após as matinés no “Cine-Teatro Alves da Cunha”, em que nós, os rapazes que já desfazíamos a barba há mais de 7 meses, saíamos do cinema possuídos pelo espírito do Rocky ou do Bruce Lee! Estas lutas em vez de marcas, terminavam geralmente com a partilha de uma cerveja entre os intervenientes e um bolo Mil-folhas!
Os anos passaram depressa, parecendo que a adolescência foi há 3 meses atrás, mas o tempo trouxe a idade adulta e…comportamentos adultos são exigidos!
Como tal, não se vê adulto a explorar túneis em fábricas abandonadas,a jogar à bola no meio da estrada,… nem a saltar do 2º andar de uma obra para um monte de areia! A grande esperança do adulto de hoje, sem dói-dói digno desse nome adquirido na adolescência ou enquanto criança, são as futeboladas com os amigos.
Comentamos com admiração, quando alguém parte a tíbia e o perónio ou tem uma ruptura TOTAL dos ligamentos, e com algum desprezo, os fraquinhos que no máximo têm um papo…em que basta chegar gelo e no próximo jogo lá estão outra vez…a estorvar!
No adulto de hoje, o tipo de lesão identifica a sua qualidade técnica como jogador. Isto alarmava-me…bastante!
Foi num fatídico sábado à tarde, na futebolada costumeira com indivíduos que aspiram a um “papo” que sofri uma pancada no joelho. Fui directo para o hospital.
Quando o médico me pergunta como aquilo aconteceu, esclareço-o que sou um óptimo jogador e para ele contar com o pior! Após vários exames inconclusivos fui para casa com a perna imobilizada e de muletas…certamente tinha rasgado o menisco e tinha ruptura TOTAL dos ligamentos. Era olhado com admiração…tinha um drible muito bom!
Dias depois na consulta, que eu pensava ser a primeira de muitas, o Sr. Doutor aparece-me com um sorriso na boca:
- Doutor, não venha de sorriso e com um discurso preparatório para me dizer o pior! Vá directo ao assunto. – pedi-lhe de forma firme é já conformado com a perspectiva de operações e meses de paragem!
- Muito bem Sr. Calheiros, a parte boa é que tem que abrandar a actividade física durante três semanas, a parte má…era só um PAPO!

Continuo um adulto, entre muitos, que continua à procura do dói-dói perdido!

sábado, 8 de junho de 2013

Possessão.

Mais por observação dos outros do que propriamente por educação e formação, nunca acreditei no mundo metafísico, demónios e intervenções divinas, ficando sempre um pouco perturbado quando ouço de gente, principalmente jovem e bem formada, a expressão – “Foi porque Deus quis!”
Esta expressão se utilizada como desbloqueador para pôr fim a uma conversa sobre a queda de skate do Caló, que foi parar ao hospital para lhe chegarem Betadine, é aceitável, mas como explicação da distracção do jovem skater, como se não estivéssemos sós no mundo, isso é estúpido…pensava eu até um dia destes!!!

A minha senhora depois de chegar a casa com mais um par de sapatos, a minha expressão foi a mais natural do mundo:
- Outros?!!! – exclamei, e de seguida aplico outra exclamação, para não ferir susceptibilidades e evitar uma discussão: – São muito bonitos!
Rapidamente esclareceu-me que, tal como o Gaspar, também tem uma folha de cálculo Excel e perspectiva utilizá-los no casamento de um dos primos, que agora ainda estão na casa dos vinte, e que mal será se pelo menos um não se casa!
É esta visão que a Cristina tem enquanto mulher, que a mim, homem, me ultrapassa! E ao longo dos anos, com o “navio”, navegando bem ou menos bem, sempre assumi isto como normal…até há poucos dias atrás.
Estávamos num final de tarde, na Rua Conde S. Bento, na Trofa, a minha terra. Esta é a rua comercial por excelência, com só metade das lojas fechadas, sobrando algumas de decoração, que são as favoritas da Cristina.
Na primeira montra avistamos uma peça sobre a qual a Cristina comenta:
- Que bonita, ficava mesmo bem na nossa sala!
Com este comentário, não digo nada, faço um biquinho, como quem quer assobiar e fico ligeiramente tenso e preso de movimentos e penso para mim – “Fogo, ainda só estamos no início da rua”.
Ainda havia muita montra para ver, quando, no meio de algum espanto, ouço da Cristina:
- Mas já temos em casa 34 peças iguais ou parecidas com esta. Não vou comprar!
Percorremos o resto da rua sem que a Cristina fizesse alguma compra, como que tendo desistido da Folha de Cálculo do Gaspar, que “dispara” quase sempre ao lado!
À noite, já a Cristina dormia, e eu perturbado com aquele final de tarde, fazia zapping na televisão e parei no Fox Movies, onde estava a dar o filme “O exorcismo de Emily Rose”. Estava a começar e vi-o até ao fim. Desligo a televisão e enquanto olho para a Cristina sou assombrado pelo pensamento – “Será que estás sob posse demoníaca?!”
Este dia foi um novo início para mim, onde comecei a perceber que existem forças que nos ultrapassam e que escapam à nossa capacidade de entendimento!
Despertamos cedo e ao pequeno almoço pergunto:
- Vamos fazer compras desnecessárias, mas bonitas?
A Cristina fita-me durante alguns segundos. Pensava eu que a apreciar a minha beleza logo pela manhã, e responde:
- Estás tolo! Parece que o dinheiro não custa a ganhar!
Tentei disfarçar o melhor possível a minha aflição. A minha mulher estava possuída, tinha que fazer algo!
À noite, no regresso a casa, de carro, a Cristina adormece. Era agora ou nunca, tinha que fazer um exorcismo. Rapidamente tomei a direcção do IKEA.
Lá chegados e pela primeira vez contra vontade, a Cristina passeava-se nos corredores e eu iniciei o exorcismo, utilizando “água-benta comercial”:
- Morzinho olha que sofá lindo,…olha que mobília de quarto espectacular, olha que tapetes belos, vamos comprar, vamos,…vê-me só a categoria deste quebra-nozes,…!
Eu dava o meu melhor neste exorcismo, mas o espírito dentro da Cristina mantinha-se frio e calculista, mas não podia desistir, tinha que recuperar a minha mulher!
- Vai-te espírito maldito! – grito, enquanto “esfrego” umas toalhas de mesa na cara da Cristina.
Nesta altura sou chamado à atenção por um empregado do IKEA.
O desepero era total, quando à saída, a Cristina repara:
- Que cadeiras de esplanada bonitas!
Apesar de já termos trinta daquelas cadeiras, os meus olhos brilharam e as lágrimas já me escorriam pelo rosto, pensando que tinha recuperado a minha mulher, quando contra o que era de esperar, ela continua: – Mas já temos! Porque é que havemos de gastar dinheiro?!
Tomado pelo desespero, pergunto:
- Quem és tu Espírito mau? Abandona esse corpo e vai para o teu mundo!
A expressão na cara da Cristina altera-se, como quando faço migalhas em casa, e com uma voz grossa denuncia-se:
- Eu sou o Joaquim Gaspar, trisavô do Vitor!
Saio do IKEA, derrotado, com a Cristina possuída por um Demónio fortíssimo anti-despesa. Mas eu desconhecia o poder de um Centro Comercial mesmo para um Demónio forreta.
Ao dirigirmos-nos para o parque de estacionamento, ao passar pela última loja de decoração:
- Espera! Que coisas lindas! – diz ela.
Entrou e comprou meia dúzia de peças, três delas desnecessárias. O exorcismo tinha dado resultado. Dei-lhe um abraço forte, tinha recuperado a minha senhora e já no carro pede-me:
- Vamos ao IKEA, outra vez?
Feliz, por ouvir estas palavras, sorri.
- Amanhã, vimos de manhã, à tarde e à noite! – prometi-lhe.
- Boa! – responde-me com um abraço, como se não me visse há muito tempo.

Os espanhóis bem dizem, “Yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay!”

domingo, 26 de maio de 2013

Porque sim,...e porque não!

Quando penso naquilo que eu possa ter de bom como pessoa (poucas coisas), agrada-me crer que talvez tenha absorvido a maior ou uma das maiores riquezas, transmitida pelos meus pais, principalmente o meu pai, o Sr Augusto. Não foi nenhuma herança material, que também me iria saber bem e me permitiria “assasinar” o despertador, mas foi sim o despertar do pensamento, questionando as coisas e pesquisando, para melhor fundamentar as minhas posições. Na essência, ser capaz de pensar pela minha própria cabeça e não me deixar arrebanhar pela maioria (com a excepção daquele ano, no Ciclo Preparatório, em que eu e mais meia turma andávamos atrás da mesma miúda).
O Sr Augusto, para me mostrar que essa seria a melhor postura, mostrou-me a outra face! Assistimos a uma sessão da Assembleia da República, em que um alto responsável da Nação respondia “Não”, pela nobre e justificada razão do outro alto responsável da Nação ter antes dito “Sim”, seguindo-se um cacarejar, que rapidamente transformou um local de supostas discussões sérias, num verdadeiro galinheiro, com a desvantagem dos deputados não porem ovos (que nem precisariam ser de ouro). No final fui levado a um café onde se discutia futebol.
Cada um dos intervenientes justificava as suas opiniões com um sólido e fundamentado “Porque sim” ou “Porque não", não raras vezes seguido de um “Tu não percebes nada!”!
Estas discussões a que assisti, apesar de cenicamente impressionantes, se tivesse que fazer um sumo das mesmas, nada sairia… eram conversas “secas”.
Dias depois, quando o questionei sobre a “Fé”, sobre se esta era mais forte e se tinha mais sentido que a “Razão”, o Sr Augusto apenas me disse: - Anda daí!
Nessa altura havia “peregrinações” a um eucalipto (sim, um eucalipto), localizado próximo da Trofa, que miraculosamente libertava fumo, e denso. Lá chegados, e com os olhos bem abertos, vimos o óbvio, o eucalipto em vez de libertar fumo era sobrevoado por milhares de mosquitos! Ao meu lado alguém rezava e perguntei:
- Está a rezar pelos mosquitos?
- Quais mosquitos, menino? – respondeu-me a senhora com uma pergunta, enquanto mascava umas ervas.
Regressei a casa intrigado com a possibilidade da fé poder cegar!
Na prateleira do móvel da sala, algures entre os “Miseráveis” e um livro de receitas que tinha um bolo de iogurte muito bom, estava a descansar a “Bíblia”. Acordei-a e passei as semanas seguintes a lê-la. Fiquei a saber que os milagres terminaram com a morte dos apóstolos e preocupei-me com a senhora que rezava aos mosquitos! Seriam alucinogénias as ervas que a senhora mascava?
De onde viria aquela fé? O meu pai levou-me a uma igreja para assistir a uma missa.
Algumas das coisas que ouvi durante a cerimónia e os rituais encenados durante a mesma, que toda a gente absorvia como verdade, contradiziam o que tinha lido no livro que estava pousado no altar. Concluí que a manipulação da fé das pessoas, por uns, podia facilmente levar à construção de santuários onde mosquitos voam à volta de eucaliptos…para miraculosamente passarmos nas avaliações da Troika!
Mais tarde, perguntei ao meu pai sobre o “Politicamente correcto”.
- Isso vais descobrir por ti! – respondeu-me.
Com o passar dos anos e com a percepção que fui adquirindo da vida e dos outros, apercebi-me de que uma minoria (descubram qual) ditou a forma de pensar, mascarando lobos com pele de cordeiros e o contrário, condenando quem se atreve a discordar e a sair desta forma balizada de pensamento. Para muitas pessoas essa limitação foi um alívio que lhes deu mais tempo para novelas e “Big Brothers”. Afinal a forma correcta de pensar já está decretada, basta ler o “Manual do Politicamente Correcto”.

Não sei bem porque escrevi este texto…se calhar “porque sim”…ou “porque não”! 

sábado, 11 de maio de 2013

O sol a entrar pela janela!


Depois de vivermos séculos em Monarquia, nos últimos 103 anos assistimos ao precipitar de sistemas políticos, que ditaram o fim desta e a implantação da 1ª República (Republica Velha e Republica Nova) , depois a 2ª República ( Ditadura Militar e Estado Novo) e a 3ª Republica (a nossa Democracia).
Saltitamos de regime em regime, como a Lurdes acabou um casamento de 40 anos e trocou o marido por um namorado, mas como este fazia migalhas a comer pão, trocou-o por outro, mais limpinho, mas que coça os genitais em público!
Nenhum regime político é perfeito, como tal não me interessa o nome que dão aos sistemas, desde que sejamos governados por gente séria e competente, que ponha os interesses de Portugal e dos portugueses em primeiro lugar!
Em tempos, a Manuela Ferreira Leite, equacionou a suspensão da Democracia por seis meses, para pôr o país nos eixos, através de uma Ditadura. Todos os que ouvi a comentar estas declarações, chamaram de irresponsáveis às palavras da Manela. Mas será assim tão estúpido a Lurdes trocar o namorado que coça nos genitais, pelo primeiro, que faz migalhas, ou então tentar reconciliar-se com o ex-marido?
Se considerarmos que a “Ditadura” pode assumir o papel de homem, já a “Democracia” tem contornos de mulher.
Quando um casal se senta à mesa e o Manel diz:
- Maria, este mês temos que conter despesas! O mais prudente é não ires à cabeleireira, não pores as unhas de gel, nem comprares aquela mala de 500 €!
- O quê?! – Exclama a Maria, com espanto, e prossegue: – Mas isso são os meus direitos adquiridos no nosso casamento!
- Queres que os miúdos passem fome?! – pergunta Manel, em tom decidido e desafiador.
Com esta “chamada à terra”, Maria apercebe-se que aquele mês tem de ser austero e concordam, naquele mês, “apertar o cinto” aos gastos acessórios.
No final de tarde do dia seguinte, Maria aparece em casa com extensões no cabelo e com um par de sapatos novos, de uma cor que ainda não tinha, que estavam com um desconto de 5%!
Esta compra, que foi uma despesa, por ter tido desconto, para a Maria foi uma grande façanha de austeridade, já para o Manel foi mais um produto tóxico…um verdadeiro contrato “Swap”!
Em situações destas, o homem, deveria ter permissão legal para suspender o casamento, devolver a “Maria” aos pais e por um período de seis meses, com a possibilidade de prolongamento das maturações, viver maritalmente com outro homem, para pôr em práctica um programa de ajustamento, que salvasse a família da banca rota!

Mas, perante a imperfeição de todos os sistemas, não troco a minha “Maria” nem os “produtos tóxicos” que traz para casa, por um Henrik alemão!
Nós, os do sul, somos assim, um pouquito desorganizados e, quiçá, um nada indisciplinados… contudo, eu tive o sol a entrar pela janela enquanto escrevia este texto…!

sábado, 4 de maio de 2013

Fazer sentido, ou não, eis a questão!?


Desde que tenho noção de mim como pessoa, até ao momento presente, a percepção que tenho do mundo foi mudando…o mundo mudou e eu também!
Mas todas as mudanças ajudaram-me a admirar cada vez mais as pessoas coerentes com o dizer e o fazer…mesmo não indo de encontro ao politicamente correcto, que para mim faz sentido.
Um dos expoentes desta coerência, é o Zé Miguel (meio nome fictício), que desde que o conheço, só fala de mulheres, da vontade de estar com elas e de como seduzi-las, sem nada esconder do seu “alvo”! O Zé Miguel (meio nome fictício), nunca fez o papel de “coração doce” para atraí-las, daí, que dessa forma, as mulheres do Zé Miguel (meio nome fictício), nunca foram “vítimas”, mas cúmplices deste Don Juan peculiar!
Apesar de não apreciar, a maneira de estar do Zé Miguel (meio nome fictício) faz sentido!
Já algo que não faz sentido, e que não percebi nesta legislatura, é a razão pela qual um dos feriados abolidos não ter sido o “1º Maio”!
O que faz sentido no “Dia do Trabalhador” é trabalhar! Aproveitar o dia… e quem é mau trabalhador (porque os há), encarnar o espírito do “bom trabalhador” e os maus patrões (porque os há), serem cordiais, estarem dispostos a ouvir e a melhorar…e a pagarem os ordenados em atraso…numa espécie de espírito do “Conto de Natal” de Charles Dickens! Isto faz sentido, apesar de parecer ficção!
Sem feriado, não há manifestação, logo, não há discurso inflamado (ao estilo islâmico) do Arménio Carlos, o  Pequeno Ditador! E esta é para mim a parte que faz mais sentido. Receio, que este fanático, um dia se faça explodir(faz sentido) à porta de um Mac Donald’s ou de uma agência bancária, matando gente inocente(não faz sentido nenhum)!
O outro feriado recente, o 25 de Abril, é o resultado da luta da geração do meu pai, contra uma ditadura…o 25 de Abril fez todo o sentido! E faz sentido ser festejado pelo povo, mas não pelos políticos!
Porque a Democracia, assente em partidos, criou a “classe política”, que olham primeiro para os seus interesses e os dos seus (que se porventura coincidirem com os do país, tanto melhor), não faz sentido…e os sindicatos são como os partidos, não se iludam. Todos dizem uma coisa e por trás fazem outra, dizem o que for preciso para assegurarem o “poleiro”, como as fãs do Justin Bieber se atropelam para ficar na 1ª fila. Em miúdas de 12 anos, faz sentido uma corridinha ao estilo “carrinhos de choque”, para ficarem mais próximas do ídolo, em gente que nos (des)governa e faz oposição (irresponsável), não faz sentido nenhum!
O que faz sentido é ter um Zé Miguel (meio nome fictício), na política.

Enquanto o político é um “Zézé Camarinha”, de técnicas manhosas para seduzir e enganar o povo, o  Zé Miguel (meio nome fictício) diz-lhes a verdade na cara, - Quero-te “traçar”!
Mulher nos braços do Zé Miguel (meio nome fictício), nunca é vítima!

sábado, 20 de abril de 2013

Doce ilusão.


De uma forma geral, cada indivíduo, cada um de nós, tem-se em boa conta. Não raras vezes vejo mulheres volumosas e vaidosas, vestidas de Top, a exibirem as suas carnes roxas e penduradas, e, ouço e vejo homens em posse de “galo” a dizerem: - Elas não me resistem!
E não raras vezes, de seguida, eu penso: “Poça, com esse aspecto?! Se fosses como eu, como seria?!”.
Sem me dar conta, também me estou a ter em demasiado boa conta! E o ter-me em “boa conta” continua no futebol aos sábados à tarde, onde tenho a certeza, que a minha equipa sem mim, teria um rendimento francamente menor; no grupo com quem ando de bicicleta, onde sou inegavelmente o mais bonito (mas sou mesmo, os outros são feios e alguns muito gordos)…e no ginásio, onde o ponteiro da balança marca o peso de um corpo que parece uma máquina bem oleada…
Ainda assim, nunca conheci ninguém como um amigo de infância, que “atacava” todas as miúdas, e que levava uns valentes “Nãos” de 98% delas, mas a sua auto-estima ficava sempre intocável! Certo é, que o estado deste amigo, assumia para mim, contornos de doença.
Sem nos apercebermos, a maior parte de nós, vive em estados de “doce ilusão”, provocados, quanto a mim, principalmente, pelas nossas mães.
Quando nascemos, enrugados, de cor estranha e pouco bonitos, para as nossas mães, somos, “A coisa mais linda”, sendo parecidos com o pai ou a mãe, chegando algumas ao ponto esquizofrénico, de achar o rebento parecido com o bisavô!!!
Bebé não se parece com nada…apenas com outros bebés.
Mas durante o nosso crescimento, o amor de mãe, vai alimentando a nossa “doce ilusão”. Ela vê-nos como os mais bonitos, os mais inteligentes, os traquinas mais fofos,… e mesmo quando somos gordos, acha-nos fortezinhos, e só olhos maldosos, nos podem achar “gooooordos”, pois somos uns “filhos de ouro”!
A única excepcção que conheço, é Dália, mãe de Adélio Dani, que numa ocasião, quando o filho lhe pergunta se é bonito, ela não respondeu, por achar feio mentir!
Esta passagem é de uma estória que escrevi, e que fará parte do meu segundo livro (quando sair…um dia) e me transporta para o final de tarde, de um dia, a meio desta semana.
No final do meu treino, no ginásio, vou à balança pesar-me. Após o ponteiro parar e de verificar o peso, achando-me em “boa conta”, comento baixinho: - Boa rapaz, mais atlético…, mais músculo, logo, mais peso!
Depois do ritual no balneário, olhar-me ao espelho de diferentes ângulos, tomar banho, voltar a olhar-me ao espelho de diferentes ângulos e vestir-me, fui a casa dos meus pais.
Triiiiimmm! – Toco à campainha e abre-se a porta. Do outro lado está a minha mãe.
Após os cumprimentos de mãe e filho, num jogo psicológico de risco, comento:
- Mamã, estou mais gordo! – ironizo com os quilos a mais de músculo, fruto de treino intenso.
Após uma pausa, a minha mãe responde:
- Estás nada filho, estás jeitoso, como sempre!
A pausa eterna, de cerca de um segundo, para dar a resposta, foi um choque brutal: ”Estou gordo”! Chegado a casa, deito-me e tenho duas alternativas; ou voltar atrás no tempo,até à época em que gordura masculina era sinal de ostentação, ou ter regra e recuperar a “linha”.
Após breve ponderação, pus de lado a hipótese de voltar atrás no tempo e elegi a recuperação da “linha”…porque a minha mãe quebrou a minha “doce ilusão”!

Termo-nos em boa conta, não tem nada de mal, mantém-nos a auto-estima em cima e confiantes…desde que não percamos a noção do ridículo e o choque com a realidade, não nos deprima.
Espero que estas palavras sábias, vos tragam alguma clarividência!

sábado, 13 de abril de 2013

Palpites (a)variados!


Nós, portugueses, somos bons no “palpite”. Custa-nos estar num grupo, cujo tema da conversa não dominamos, e estarmos calados. A falar, quando não se sabe, o mais prudente seria perguntar, para aprendermos, mas o nosso “felling portuga” dá-nos a segurança suficiente para soltar uma “posta de pescada”, seja qual for o tema, desde o “Latifúndio versus Minifúndio”, passando pelos “Direitos e deveres dos titulares de cargos públicos”, roçando o tema do “Fora de jogo”, dando um toque na “Estratégia espacial da NASA” e culminando no tema quente, se o Tójó anda metido com a Carla ou a Cátia!
Como “bom português”, não estou imune a esta característica e recordo-me perfeitamente de na minha adolescência ter tido uma conversa, durante um jantar inteiro, cujo tema eram os Karts…de que não percebia nada! Mas a fluência e certeza das minhas intervenções, convenceram os presentes, incluindo um practicante da modalidade, e a mim mesmo, de que eu era um grande entendido da matéria! No final dessa noite, quando cheguei a casa, fui à garagem verificar se não teria um!
Há menos tempo, quando se procedia à construção da nova estação de comboios da Trofa e ao desvio da linha, numa conversa sobre o tema, alguém comentava, sem saber o que dizia, mas com toda a certeza do mundo:  – As obras na linha são para o TGV!
Ninguém acreditou, porque as restantes pessoas estavam bem informadas sobre o cariz das obras, mas são estes brilharetes de opinião que gostamos de fazer, que podem ser perigosos quando o ouvinte menos informado toma como certo o que é mentira!
Nos últimos dias todos têm contribuído com a sua “colherada (des)informativa” sobre a Constituição…e eu também quero dar o meu contributo!
Quando se trata de fazer cumprir a Constituição, ela tem de ser cumprida sempre, e não às vezes, e aplicada a todos, e não só a alguns, e pode ser suspensa em duas situações, o estado de sítio ou o estado de emergência, que passo a transcrever conforme está escrito na mesma – “O estado de sítio ou o estado de emergência só podem ser declarados, no todo ou em parte do território nacional, nos casos de agressão efectiva ou iminente por forças estrangeira, de grave ameaça ou perturbação da ordem constitucional democrática ou de calamidade pública.”
Sendo assim, na celebração do último 10 de Junho, o Presidente da República, juntamente com António Costa, Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, deveriam ter sido alvo do TC, por terem içado a Bandeira Nacional ao contrário, …mas isto é o menos, depois de ler a nossa Constituição!
A nossa Constituição foi publicada em 1976. Começa fazendo referência ao Movimento das Forças Armadas, ao Fascismo e várias vezes à Revolução! Temos logo no início a apresentação dos condimentos, que nos fazem adivinhar uma “telenovela” ao estilo Sul-Americano e escrita no fervor pós-revolução, que se assemelha ao programa político de um partido que eu enquadraria entre o PCP e o BE!
Continuar a lê-La é como ler um livro de auto-ajuda de um indivíduo que se suicidou, é um choque entre a realidade e a ficção, em que se verifica que sempre existiu, nunca se aplicou e tornou-se “divina”, na análise do último Orçamento de Estado.
Apesar da vontade que possa haver, não pode ser Ela, com quase quarenta anos e alguns ossos partidos, fruto de uma osteoporose de nascença, a correr a maratona que estamos a fazer, num caso de  “…agressão efectiva ou iminente por forças estrangeiras…”.
E é neste ponto que a Constituição está mais ultrapassada, quando faz referência a agressões e invasões militares, quando nos tempos de hoje, as invasões e agressões são económicas.

A Constituição faz-me lembrar o meu avô…nunca quis ir ao médico fazer um “check-up” e troçava daqueles que se cuidavam e mudavam de hábitos, e hoje têm saúde e uma vida melhor…mas o meu avô não dispenso, já a Constituição…acho que é inconstitucional!