domingo, 14 de julho de 2013

Saída profissional!

Tive a infelicidade de ser uma criança normal!
Não gostava das aulas, mas gostava do recreio e de aprender; gostava do Dartacão e do Tom Sawyer, andava de fisga enfiada na meia, não percebia porque as raparigas não eram iguais aos rapazes, nas férias brincava de sol a sol, na rua, com os amigos, não percebia o que era a política e o que gostava mesmo… era de jogar à bola.
Novinhos e movidos por esse gosto “de jogar à bola”, eu e os meus amigos começámos a jogar futebol nos “iniciados” do clube da minha terra, o Trofense, ao contrário de outras crianças, estas mais estranhas, que não tendo gosto nem jeito para a bola, juntavam-se em volta de um “líder”, e seguiam-no sem saber porquê, mas tinham o privilégio de colar cartazes! Estes grupos que começaram a proliferar na década de 80, na mesma altura em que apareceram os glutões no detergente da roupa…são as “Jotas”.
Enquanto eu e os meus amigos, sob a orientação dos nossos treinadores, dávamos o máximo em campo pela nossa equipa e sonhávamos ser como os nossos ídolos e ganhar muito dinheiro, os outros, além de colar cartazes, nas reuniões, gastavam o tempo a jogar ao Monopólio. Aprendiam a comprar casas na Rua Augusta e hoteis na Rua do Ouro, a fazer negociatas com os amigos e apagaram a “casa” da prisão e rasgaram a carta que dizia - “vai directamente para a cadeia, sem passar pela casa de partida”! Já nós, se infringíamos as leis do jogo, éramos penalizados. Na minha carreira ultra-amadora de criança, acumulei 2 cartões vermelhos, por agarrar o adversário quando este se isolava. E se o empenhamento durante a semana, nos treinos, não fosse digno, não havia lugar para nós na convocatória, ao contrário das “Jotas”, onde há sempre lugar para todos, nem que sejas retardado…e onde só não aceitam pessoas em estado vegetativo, por não cumprirem o requisito de fazer a cruz, em altura de eleições!
Agora que sou um adulto normal, tenho a infelicidade de ser governado por gente anormal!
Lembro-me de que eu e os meus amigos, como muitos milhares de crianças que jogavam futebol por esse país fora, num qualquer momento deparámos-nos com a realidade que o sonho de ser jogador não sustentava todos, apenas meia dúzia…os mais dotados. Paciência!
Continuámos a estudar e depois a trabalhar e a descontar para um Orçamento, em que parte dele é para pagar os “jobs for the boys”, em português “os tachos”, para os que em vez de obterem uma profissão aprenderam a adulterar o Monopólio e ficaram à espera que lhes dessem um curso…para nos governar!

Jovem, tens jeito para o futebol? Esquece! Queres ser piloto de aviões? Esquece! Queres ter uma vida digna e séria e ser respeitado por isso? Esquece! Convidaram-te para uma sociedade no euromilhões? Esquece! Uma miúda muito rica convidou-te para casar? Esquece! Queres ser padre? Esquece!
Nada é mais certo do que colar cartazes, não do circo que vai à tua terra…mas de um partido político qualquer!

sábado, 6 de julho de 2013

Vida social.

Quando o ser humano pensa que tudo está bem, tem a tendência natural para se distrair e prestar menos atenção a quem o rodeia. Bem ou mal é essa a nossa natureza…e contrariá-la, só com uma check-list dos esforços diários que devemos fazer, um pouco como verificar o óleo e a água do nosso carro que já tem uns anitos!
Estando eu no 2º round da vida marital com a mesma pessoa do 1º (garantindo-me entrada directa para o céu), pensava que tinha aprendido com os erros de defesa do 1º assalto e melhorado a esquiva…e relaxei!
Perante isto, sou abordado pela Cristina, que teima em levar o casamento até ao ultimo assalto, levantando-me quando estou “adormecido”, para que eu não perca por KO. O casamento é uma luta, que nenhum dos intervenientes deveria querer perder!
- Não temos vida social! – diz ela, prosseguindo – Estamos fechados em nós mesmos, numa redoma! Temos que socializar!
A Cristina tinha razão, e estas palavras depois do jantar numa noite de verão, fizeram recuar a minha memória de forma pachorrenta para a tarde desse mesmo dia, em que encontrei um dos meus raros bons amigos…que raramente o vejo!
- Então Miguel, tudo bem? Já não te vejo há algum tempo, onde tens parado? – pergunto.
- No Facebook. – responde-me.
- Aonde fica? O pessoal pára lá? – pergunto, pensando que o Facebook é um café ou um bar novo!
- Pára lá toda a gente. – diz o Miguel
- Mas o bar não tem porteiro, para fazer selecção?
- Porteiro? – exclama o Miguel, sem estar a perceber o sentido da conversa.
Depois de desfeito o mal entendido, o Miguel explica-me o que é o Facebook e qual o seu uso. Sem saber, eu e a Cristina estávamos encarcerados no passado e o meu raro amigo “abriu-nos a porta”.
Desperto da memória da tarde, e regressado à mesa de jantar, penso nas palavras que ouvi da Cristina.
Ultimamente temos estado com as pessoas de família de quem mais gostamos, jantado uma vez ou outra com amigos e abusado no nosso espaço exterior com umas churrascadas rodeados de gente…temos convivido, vemos e sentimos quem mais gostamos, ou seja…envelhecemos jovens e sem vida social.
Perante este cenário, para recuperar as vivências e aguentar mais um round matrimonial, abdiquei da pintura do carro e com o dinheiro para ele destinado comprei outro computador!
No sábado à noite dessa semana, eu e a minha senhora regressamos à vida social activa, ela na sala e eu no escritório, cada um no seu computador, fizemos “likes” e comentários e vi o Miguel…e toda a gente!
Neste momento já temos amigos que nunca os vimos, partilhamos coisas e somos parte integrante desta rede social, que nos deu uma vida e pujança para os restantes rounds matrimoniais…apesar de raramente ver a Cristina, mesmo estando sentada ao meu lado, cada um com o seu computador, em prol de uma vida social!

Por vezes, olhamos um para o outro e sem dizermos nada, saímos de casa e damos a mão! Passeamos, com o cuidado de não sermos vistos, e convivemos com outros clandestinos!

sábado, 29 de junho de 2013

Em busca do “dói-dói” perdido!

Desde que larguei a mão da minha mãe e ganhei pernas para correr por minha conta, as nódoas negras e os arranhões sempre me acompanharam. A certeza, na criancice em finais dos anos 70 e inícios de 80, de que éramos normais comprovava-se através da forma como chegávamos a casa. Saíamos aprumados para a escola e chegávamos de calças rotas e o corpo marcado por arranhões. No nosso guarda-roupa não havia calças sem joelheiras ou camisas e camisolas sem cotoveleiras. Um guarda-roupa “impec” de uma criança desses tempos era um sinal de que era doente, sem poder ter uma vida normal! Lembro-me das 3 ou 4 vezes que cheguei a casa aprumadinho, da mesma forma como a minha mãe me tinha despachado para a escola, e de imediato me deitou na cama e me tirou a temperatura.
Também assim eram as personagens da banda desenhada, e os nossos heróis tinham brincadeiras iguais ás nossas e caíam abaixo de árvores e muros ou entravam em lutas de capa e espada, como o Tom Sawyer ou o Dartacão.
Todos queríamos um dói-dói a valer, que contasse uma estória heróica!
O apogeu do dói-dói aconteceu na 3ª classe e fez do Filipe (nome quase fictício) herói por meia hora! Correu pela escola a notícia de que o Filipe tinha partido o queixo e todos efabulávamos se teria sido à porrada contra 5 ciganinhos! Depois de regressado à escola com um penso no queixo, o Filipe conta como tudo aconteceu:
- Ia a andar… tropecei sozinho e caí de queixos!
Ouvir isto foi a desilusão completa e um pensamento trespassou a cabeça de todos os meninos: “Que nabo!”.
Quanto a mim, passei sempre de classe e passei sempre ao lado de um dói-dói digno desse nome!
Veio a adolescência e os heróis dos desenhos animados foram substituídos pelos heróis criados pelo cinema, o Conan cujas marcas no corpo contavam combates contra exércitos, ou Indiana Jones, com uma cicatriz no queixo, que ao contrário da do Filipe, contava uma grande aventura e…Ramboooooo, que se lançava de uma escarpa, caía em cima de uma árvore, cujos ramos lhe iam amparando a queda e em vez de morrer, cozia a sangue frio um corte no braço!
Inspirado por estes heróis da grande tela, nunca virei a cara aos confrontos, que geralmente aconteciam após as matinés no “Cine-Teatro Alves da Cunha”, em que nós, os rapazes que já desfazíamos a barba há mais de 7 meses, saíamos do cinema possuídos pelo espírito do Rocky ou do Bruce Lee! Estas lutas em vez de marcas, terminavam geralmente com a partilha de uma cerveja entre os intervenientes e um bolo Mil-folhas!
Os anos passaram depressa, parecendo que a adolescência foi há 3 meses atrás, mas o tempo trouxe a idade adulta e…comportamentos adultos são exigidos!
Como tal, não se vê adulto a explorar túneis em fábricas abandonadas,a jogar à bola no meio da estrada,… nem a saltar do 2º andar de uma obra para um monte de areia! A grande esperança do adulto de hoje, sem dói-dói digno desse nome adquirido na adolescência ou enquanto criança, são as futeboladas com os amigos.
Comentamos com admiração, quando alguém parte a tíbia e o perónio ou tem uma ruptura TOTAL dos ligamentos, e com algum desprezo, os fraquinhos que no máximo têm um papo…em que basta chegar gelo e no próximo jogo lá estão outra vez…a estorvar!
No adulto de hoje, o tipo de lesão identifica a sua qualidade técnica como jogador. Isto alarmava-me…bastante!
Foi num fatídico sábado à tarde, na futebolada costumeira com indivíduos que aspiram a um “papo” que sofri uma pancada no joelho. Fui directo para o hospital.
Quando o médico me pergunta como aquilo aconteceu, esclareço-o que sou um óptimo jogador e para ele contar com o pior! Após vários exames inconclusivos fui para casa com a perna imobilizada e de muletas…certamente tinha rasgado o menisco e tinha ruptura TOTAL dos ligamentos. Era olhado com admiração…tinha um drible muito bom!
Dias depois na consulta, que eu pensava ser a primeira de muitas, o Sr. Doutor aparece-me com um sorriso na boca:
- Doutor, não venha de sorriso e com um discurso preparatório para me dizer o pior! Vá directo ao assunto. – pedi-lhe de forma firme é já conformado com a perspectiva de operações e meses de paragem!
- Muito bem Sr. Calheiros, a parte boa é que tem que abrandar a actividade física durante três semanas, a parte má…era só um PAPO!

Continuo um adulto, entre muitos, que continua à procura do dói-dói perdido!

sábado, 8 de junho de 2013

Possessão.

Mais por observação dos outros do que propriamente por educação e formação, nunca acreditei no mundo metafísico, demónios e intervenções divinas, ficando sempre um pouco perturbado quando ouço de gente, principalmente jovem e bem formada, a expressão – “Foi porque Deus quis!”
Esta expressão se utilizada como desbloqueador para pôr fim a uma conversa sobre a queda de skate do Caló, que foi parar ao hospital para lhe chegarem Betadine, é aceitável, mas como explicação da distracção do jovem skater, como se não estivéssemos sós no mundo, isso é estúpido…pensava eu até um dia destes!!!

A minha senhora depois de chegar a casa com mais um par de sapatos, a minha expressão foi a mais natural do mundo:
- Outros?!!! – exclamei, e de seguida aplico outra exclamação, para não ferir susceptibilidades e evitar uma discussão: – São muito bonitos!
Rapidamente esclareceu-me que, tal como o Gaspar, também tem uma folha de cálculo Excel e perspectiva utilizá-los no casamento de um dos primos, que agora ainda estão na casa dos vinte, e que mal será se pelo menos um não se casa!
É esta visão que a Cristina tem enquanto mulher, que a mim, homem, me ultrapassa! E ao longo dos anos, com o “navio”, navegando bem ou menos bem, sempre assumi isto como normal…até há poucos dias atrás.
Estávamos num final de tarde, na Rua Conde S. Bento, na Trofa, a minha terra. Esta é a rua comercial por excelência, com só metade das lojas fechadas, sobrando algumas de decoração, que são as favoritas da Cristina.
Na primeira montra avistamos uma peça sobre a qual a Cristina comenta:
- Que bonita, ficava mesmo bem na nossa sala!
Com este comentário, não digo nada, faço um biquinho, como quem quer assobiar e fico ligeiramente tenso e preso de movimentos e penso para mim – “Fogo, ainda só estamos no início da rua”.
Ainda havia muita montra para ver, quando, no meio de algum espanto, ouço da Cristina:
- Mas já temos em casa 34 peças iguais ou parecidas com esta. Não vou comprar!
Percorremos o resto da rua sem que a Cristina fizesse alguma compra, como que tendo desistido da Folha de Cálculo do Gaspar, que “dispara” quase sempre ao lado!
À noite, já a Cristina dormia, e eu perturbado com aquele final de tarde, fazia zapping na televisão e parei no Fox Movies, onde estava a dar o filme “O exorcismo de Emily Rose”. Estava a começar e vi-o até ao fim. Desligo a televisão e enquanto olho para a Cristina sou assombrado pelo pensamento – “Será que estás sob posse demoníaca?!”
Este dia foi um novo início para mim, onde comecei a perceber que existem forças que nos ultrapassam e que escapam à nossa capacidade de entendimento!
Despertamos cedo e ao pequeno almoço pergunto:
- Vamos fazer compras desnecessárias, mas bonitas?
A Cristina fita-me durante alguns segundos. Pensava eu que a apreciar a minha beleza logo pela manhã, e responde:
- Estás tolo! Parece que o dinheiro não custa a ganhar!
Tentei disfarçar o melhor possível a minha aflição. A minha mulher estava possuída, tinha que fazer algo!
À noite, no regresso a casa, de carro, a Cristina adormece. Era agora ou nunca, tinha que fazer um exorcismo. Rapidamente tomei a direcção do IKEA.
Lá chegados e pela primeira vez contra vontade, a Cristina passeava-se nos corredores e eu iniciei o exorcismo, utilizando “água-benta comercial”:
- Morzinho olha que sofá lindo,…olha que mobília de quarto espectacular, olha que tapetes belos, vamos comprar, vamos,…vê-me só a categoria deste quebra-nozes,…!
Eu dava o meu melhor neste exorcismo, mas o espírito dentro da Cristina mantinha-se frio e calculista, mas não podia desistir, tinha que recuperar a minha mulher!
- Vai-te espírito maldito! – grito, enquanto “esfrego” umas toalhas de mesa na cara da Cristina.
Nesta altura sou chamado à atenção por um empregado do IKEA.
O desepero era total, quando à saída, a Cristina repara:
- Que cadeiras de esplanada bonitas!
Apesar de já termos trinta daquelas cadeiras, os meus olhos brilharam e as lágrimas já me escorriam pelo rosto, pensando que tinha recuperado a minha mulher, quando contra o que era de esperar, ela continua: – Mas já temos! Porque é que havemos de gastar dinheiro?!
Tomado pelo desespero, pergunto:
- Quem és tu Espírito mau? Abandona esse corpo e vai para o teu mundo!
A expressão na cara da Cristina altera-se, como quando faço migalhas em casa, e com uma voz grossa denuncia-se:
- Eu sou o Joaquim Gaspar, trisavô do Vitor!
Saio do IKEA, derrotado, com a Cristina possuída por um Demónio fortíssimo anti-despesa. Mas eu desconhecia o poder de um Centro Comercial mesmo para um Demónio forreta.
Ao dirigirmos-nos para o parque de estacionamento, ao passar pela última loja de decoração:
- Espera! Que coisas lindas! – diz ela.
Entrou e comprou meia dúzia de peças, três delas desnecessárias. O exorcismo tinha dado resultado. Dei-lhe um abraço forte, tinha recuperado a minha senhora e já no carro pede-me:
- Vamos ao IKEA, outra vez?
Feliz, por ouvir estas palavras, sorri.
- Amanhã, vimos de manhã, à tarde e à noite! – prometi-lhe.
- Boa! – responde-me com um abraço, como se não me visse há muito tempo.

Os espanhóis bem dizem, “Yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay!”

domingo, 26 de maio de 2013

Porque sim,...e porque não!

Quando penso naquilo que eu possa ter de bom como pessoa (poucas coisas), agrada-me crer que talvez tenha absorvido a maior ou uma das maiores riquezas, transmitida pelos meus pais, principalmente o meu pai, o Sr Augusto. Não foi nenhuma herança material, que também me iria saber bem e me permitiria “assasinar” o despertador, mas foi sim o despertar do pensamento, questionando as coisas e pesquisando, para melhor fundamentar as minhas posições. Na essência, ser capaz de pensar pela minha própria cabeça e não me deixar arrebanhar pela maioria (com a excepção daquele ano, no Ciclo Preparatório, em que eu e mais meia turma andávamos atrás da mesma miúda).
O Sr Augusto, para me mostrar que essa seria a melhor postura, mostrou-me a outra face! Assistimos a uma sessão da Assembleia da República, em que um alto responsável da Nação respondia “Não”, pela nobre e justificada razão do outro alto responsável da Nação ter antes dito “Sim”, seguindo-se um cacarejar, que rapidamente transformou um local de supostas discussões sérias, num verdadeiro galinheiro, com a desvantagem dos deputados não porem ovos (que nem precisariam ser de ouro). No final fui levado a um café onde se discutia futebol.
Cada um dos intervenientes justificava as suas opiniões com um sólido e fundamentado “Porque sim” ou “Porque não", não raras vezes seguido de um “Tu não percebes nada!”!
Estas discussões a que assisti, apesar de cenicamente impressionantes, se tivesse que fazer um sumo das mesmas, nada sairia… eram conversas “secas”.
Dias depois, quando o questionei sobre a “Fé”, sobre se esta era mais forte e se tinha mais sentido que a “Razão”, o Sr Augusto apenas me disse: - Anda daí!
Nessa altura havia “peregrinações” a um eucalipto (sim, um eucalipto), localizado próximo da Trofa, que miraculosamente libertava fumo, e denso. Lá chegados, e com os olhos bem abertos, vimos o óbvio, o eucalipto em vez de libertar fumo era sobrevoado por milhares de mosquitos! Ao meu lado alguém rezava e perguntei:
- Está a rezar pelos mosquitos?
- Quais mosquitos, menino? – respondeu-me a senhora com uma pergunta, enquanto mascava umas ervas.
Regressei a casa intrigado com a possibilidade da fé poder cegar!
Na prateleira do móvel da sala, algures entre os “Miseráveis” e um livro de receitas que tinha um bolo de iogurte muito bom, estava a descansar a “Bíblia”. Acordei-a e passei as semanas seguintes a lê-la. Fiquei a saber que os milagres terminaram com a morte dos apóstolos e preocupei-me com a senhora que rezava aos mosquitos! Seriam alucinogénias as ervas que a senhora mascava?
De onde viria aquela fé? O meu pai levou-me a uma igreja para assistir a uma missa.
Algumas das coisas que ouvi durante a cerimónia e os rituais encenados durante a mesma, que toda a gente absorvia como verdade, contradiziam o que tinha lido no livro que estava pousado no altar. Concluí que a manipulação da fé das pessoas, por uns, podia facilmente levar à construção de santuários onde mosquitos voam à volta de eucaliptos…para miraculosamente passarmos nas avaliações da Troika!
Mais tarde, perguntei ao meu pai sobre o “Politicamente correcto”.
- Isso vais descobrir por ti! – respondeu-me.
Com o passar dos anos e com a percepção que fui adquirindo da vida e dos outros, apercebi-me de que uma minoria (descubram qual) ditou a forma de pensar, mascarando lobos com pele de cordeiros e o contrário, condenando quem se atreve a discordar e a sair desta forma balizada de pensamento. Para muitas pessoas essa limitação foi um alívio que lhes deu mais tempo para novelas e “Big Brothers”. Afinal a forma correcta de pensar já está decretada, basta ler o “Manual do Politicamente Correcto”.

Não sei bem porque escrevi este texto…se calhar “porque sim”…ou “porque não”! 

sábado, 11 de maio de 2013

O sol a entrar pela janela!


Depois de vivermos séculos em Monarquia, nos últimos 103 anos assistimos ao precipitar de sistemas políticos, que ditaram o fim desta e a implantação da 1ª República (Republica Velha e Republica Nova) , depois a 2ª República ( Ditadura Militar e Estado Novo) e a 3ª Republica (a nossa Democracia).
Saltitamos de regime em regime, como a Lurdes acabou um casamento de 40 anos e trocou o marido por um namorado, mas como este fazia migalhas a comer pão, trocou-o por outro, mais limpinho, mas que coça os genitais em público!
Nenhum regime político é perfeito, como tal não me interessa o nome que dão aos sistemas, desde que sejamos governados por gente séria e competente, que ponha os interesses de Portugal e dos portugueses em primeiro lugar!
Em tempos, a Manuela Ferreira Leite, equacionou a suspensão da Democracia por seis meses, para pôr o país nos eixos, através de uma Ditadura. Todos os que ouvi a comentar estas declarações, chamaram de irresponsáveis às palavras da Manela. Mas será assim tão estúpido a Lurdes trocar o namorado que coça nos genitais, pelo primeiro, que faz migalhas, ou então tentar reconciliar-se com o ex-marido?
Se considerarmos que a “Ditadura” pode assumir o papel de homem, já a “Democracia” tem contornos de mulher.
Quando um casal se senta à mesa e o Manel diz:
- Maria, este mês temos que conter despesas! O mais prudente é não ires à cabeleireira, não pores as unhas de gel, nem comprares aquela mala de 500 €!
- O quê?! – Exclama a Maria, com espanto, e prossegue: – Mas isso são os meus direitos adquiridos no nosso casamento!
- Queres que os miúdos passem fome?! – pergunta Manel, em tom decidido e desafiador.
Com esta “chamada à terra”, Maria apercebe-se que aquele mês tem de ser austero e concordam, naquele mês, “apertar o cinto” aos gastos acessórios.
No final de tarde do dia seguinte, Maria aparece em casa com extensões no cabelo e com um par de sapatos novos, de uma cor que ainda não tinha, que estavam com um desconto de 5%!
Esta compra, que foi uma despesa, por ter tido desconto, para a Maria foi uma grande façanha de austeridade, já para o Manel foi mais um produto tóxico…um verdadeiro contrato “Swap”!
Em situações destas, o homem, deveria ter permissão legal para suspender o casamento, devolver a “Maria” aos pais e por um período de seis meses, com a possibilidade de prolongamento das maturações, viver maritalmente com outro homem, para pôr em práctica um programa de ajustamento, que salvasse a família da banca rota!

Mas, perante a imperfeição de todos os sistemas, não troco a minha “Maria” nem os “produtos tóxicos” que traz para casa, por um Henrik alemão!
Nós, os do sul, somos assim, um pouquito desorganizados e, quiçá, um nada indisciplinados… contudo, eu tive o sol a entrar pela janela enquanto escrevia este texto…!

sábado, 4 de maio de 2013

Fazer sentido, ou não, eis a questão!?


Desde que tenho noção de mim como pessoa, até ao momento presente, a percepção que tenho do mundo foi mudando…o mundo mudou e eu também!
Mas todas as mudanças ajudaram-me a admirar cada vez mais as pessoas coerentes com o dizer e o fazer…mesmo não indo de encontro ao politicamente correcto, que para mim faz sentido.
Um dos expoentes desta coerência, é o Zé Miguel (meio nome fictício), que desde que o conheço, só fala de mulheres, da vontade de estar com elas e de como seduzi-las, sem nada esconder do seu “alvo”! O Zé Miguel (meio nome fictício), nunca fez o papel de “coração doce” para atraí-las, daí, que dessa forma, as mulheres do Zé Miguel (meio nome fictício), nunca foram “vítimas”, mas cúmplices deste Don Juan peculiar!
Apesar de não apreciar, a maneira de estar do Zé Miguel (meio nome fictício) faz sentido!
Já algo que não faz sentido, e que não percebi nesta legislatura, é a razão pela qual um dos feriados abolidos não ter sido o “1º Maio”!
O que faz sentido no “Dia do Trabalhador” é trabalhar! Aproveitar o dia… e quem é mau trabalhador (porque os há), encarnar o espírito do “bom trabalhador” e os maus patrões (porque os há), serem cordiais, estarem dispostos a ouvir e a melhorar…e a pagarem os ordenados em atraso…numa espécie de espírito do “Conto de Natal” de Charles Dickens! Isto faz sentido, apesar de parecer ficção!
Sem feriado, não há manifestação, logo, não há discurso inflamado (ao estilo islâmico) do Arménio Carlos, o  Pequeno Ditador! E esta é para mim a parte que faz mais sentido. Receio, que este fanático, um dia se faça explodir(faz sentido) à porta de um Mac Donald’s ou de uma agência bancária, matando gente inocente(não faz sentido nenhum)!
O outro feriado recente, o 25 de Abril, é o resultado da luta da geração do meu pai, contra uma ditadura…o 25 de Abril fez todo o sentido! E faz sentido ser festejado pelo povo, mas não pelos políticos!
Porque a Democracia, assente em partidos, criou a “classe política”, que olham primeiro para os seus interesses e os dos seus (que se porventura coincidirem com os do país, tanto melhor), não faz sentido…e os sindicatos são como os partidos, não se iludam. Todos dizem uma coisa e por trás fazem outra, dizem o que for preciso para assegurarem o “poleiro”, como as fãs do Justin Bieber se atropelam para ficar na 1ª fila. Em miúdas de 12 anos, faz sentido uma corridinha ao estilo “carrinhos de choque”, para ficarem mais próximas do ídolo, em gente que nos (des)governa e faz oposição (irresponsável), não faz sentido nenhum!
O que faz sentido é ter um Zé Miguel (meio nome fictício), na política.

Enquanto o político é um “Zézé Camarinha”, de técnicas manhosas para seduzir e enganar o povo, o  Zé Miguel (meio nome fictício) diz-lhes a verdade na cara, - Quero-te “traçar”!
Mulher nos braços do Zé Miguel (meio nome fictício), nunca é vítima!